Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, esteve diretamente envolvido em investimentos que adquiriram parte da participação da família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort no interior do Paraná. A fatia da família Toffoli no Tayayá foi avaliada em R$ 6,6 milhões, conforme documentos financeiros obtidos pelo Estadão.
Entre 2021 e 2025, Zettel foi o único cotista do fundo Leal, utilizado para estruturar o aporte no empreendimento. Por meio deste e de outro fundo administrado pela Reag Investimentos, foram injetados cerca de R$ 20 milhões no resort, que, na época, contava com os irmãos de Toffoli como principais acionistas.
A sociedade entre o fundo e a família Toffoli durou até 2025, quando as participações foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que se tornou o único dono do Tayayá. Barbosa, que já atuou para a JBS, afirmou que seu investimento no resort visa transformá-lo em um dos maiores complexos turísticos da região, ressaltando que conhece Toffoli, mas nunca fez negócios com ele.
Investigação em Curso
Atualmente, Toffoli é relator no STF de um inquérito que investiga fraudes no Banco Master, que envolve Daniel Vorcaro e a Reag Investimentos. A apuração revelou que o fundo Arleen, que se tornou sócio do Tayayá, foi liquidado em novembro de 2025, após a Polícia Federal iniciar operações contra fundos da Reag, suspeitando de que a corretora geria investimentos com dinheiro do PCC.
Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam que o fundo Leal comprou metade da participação societária das empresas Tayayá Administração e Participações e DGEP Empreendimentos, controladas por familiares de Toffoli. A liquidante Reag Investimentos foi desmantelada pelo Banco Central, levantando preocupações sobre lavagem de dinheiro e falta de documentação adequada.
Opinião
As investigações em torno do resort e as ligações com figuras proeminentes da política e do empresariado levantam questões sobre a transparência e a ética nas relações financeiras no Brasil.





