Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevaram a tensão geopolítica global, levando investidores a buscar ativos considerados mais seguros. Especialistas apontam que, no curto prazo, haverá uma possível pressão sobre as bolsas de valores, com uma expectativa de alta nas curvas de juros e um fortalecimento do dólar diante do cenário de risco.
Um dos fatores que agrava a situação é a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota crucial onde passa 20% do consumo global de petróleo. Com isso, os preços do barril de petróleo devem apresentar volatilidade, com tendência de alta, o que pode gerar efeitos inflacionários. O especialista em negócios internacionais e geopolítica do petróleo, Daniel Toledo, destaca que “petróleo é uma commodity extremamente sensível à instabilidade geopolítica, especialmente quando envolve Oriente Médio, Estados Unidos ou Israel”.
Além disso, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, observa que o efeito inflacionário pode atrasar a perspectiva de corte de juros. “Por isso, vemos bolsas reagindo de forma mais negativa. As curvas de juros sobem e há um movimento tradicional de migração para moedas mais seguras, como o dólar, iene e franco suíço”, afirma.
O consultor de valores mobiliários e cofundador da B8 Partners, Beny Fard, prevê uma guinada de investidores para os Estados Unidos. Títulos do Tesouro e bonds americanos devem ser mais apreciados em detrimento da renda variável. “Toda vez que temos guerras de extensão territorial maior, especialmente envolvendo os Estados Unidos, há um movimento de maior medo dos investidores e o ‘flight to quality’. Assim, deve haver uma guinada de investimentos para os Estados Unidos, fortalecendo o dólar, que estava em um movimento de enfraquecimento”, explica.
Para a bolsa brasileira, a expectativa é de impacto negativo. “Pode haver uma saída de fluxo de estrangeiros do Brasil, mesmo com um prêmio de risco mais alto”, avalia Cruz.
Opinião
Os recentes ataques ao Irã demonstram como a instabilidade geopolítica pode afetar diretamente os mercados financeiros, trazendo incertezas e reações imediatas dos investidores.






