Internacional

EUA e Israel atacam Irã para conter China e fortalecer hegemonia de Netanyahu

EUA e Israel atacam Irã para conter China e fortalecer hegemonia de Netanyahu

A segunda agressão dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irã, em um intervalo de oito meses, busca a “troca de regime” em Teerã, com o objetivo de deter a expansão econômica da China, vista como ameaça por Washington. Essa avaliação é de especialistas em geopolítica e relações internacionais consultados pela Agência Brasil.

Os analistas questionam o discurso oficial dos EUA e de Israel de que o ataque é “preventivo”, alegando que o Irã estaria buscando construir uma bomba atômica que ameaçaria a Casa Branca e seus aliados. A professora de pós-graduação em relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, Rashmi Singh, destacou que o Irã aceitou não manter urânio enriquecido, material necessário para a fabricação de artefatos nucleares.

Impacto nas Relações Internacionais

Singh afirmou que os EUA e Israel entraram em guerra quando um avanço diplomático estava ao alcance. “Tanto os EUA quanto Israel acreditam que o Irã está fraco e veem isso como uma oportunidade estratégica para instalar um governo mais moderado no país”, disse a professora.

O professor de relações internacionais Robson Valdez ponderou que os ataques contra o Irã não podem ser explicados apenas pela versão da “contenção nuclear”. Segundo ele, o foco é a disputa pelo equilíbrio de poder no Oriente Médio, que afeta especialmente a China, grande importadora do petróleo iraniano.

Geopolítica e Conflitos Regionais

O especialista Ali Ramos ressaltou que o Irã é o coração do projeto geoeconômico chinês, e que a guerra deve ser analisada no contexto da ‘guerra comercial’ entre os EUA e a China. “Enquanto houver mísseis balísticos e drones iranianos, Israel não terá a supremacia estratégica regional”, afirmou Ramos.

Além disso, Mohammed Nadir, professor da Universidade Federal do ABC Paulista (UFABC), afirmou que o real motivo da guerra é acabar com qualquer possibilidade de uma potência pujante no Oriente Médio e manter a hegemonia de Israel. “Esta guerra não é uma guerra americana, mas é uma guerra de Benjamin Netanyahu e, por extensão, de Israel”, destacou.

Conclusão e Implicações Futuras

O professor da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart Menezes, afirmou que os EUA sempre usaram o programa nuclear do Irã como pretexto para ações hostis. A invasão da Ucrânia e outros eventos recentes têm incentivado o Irã a desenvolver seu programa nuclear, enquanto os EUA buscam redesenhar o mapa geopolítico do Oriente Médio.

Opinião

A situação atual entre os EUA, Israel e Irã reflete a complexidade das relações internacionais e a luta por poder na região, com consequências que podem afetar a estabilidade global.