O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos no último sábado, 7 de outubro de 2023, sob a pressão dos Estados Unidos (EUA), que ameaçaram intervir na nação caribenha caso o poder não fosse mantido com o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.
Em uma cerimônia realizada em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, afirmou que o conselho finaliza sua participação no poder Executivo sem deixar o país em um vazio. Ele destacou que o governo do primeiro-ministro Fils-Aimé garantirá a continuidade, enfatizando a importância da segurança, diálogo político, eleições e estabilidade.
Contexto Político e Eleições
Desde 2016, o Haiti não realiza eleições, e o CPT assumiu em abril de 2024 após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, que ocupava o cargo desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021. O CPT, composto por nove conselheiros de diferentes setores sociais, tinha a missão de preparar as eleições gerais previstas para outubro e novembro de 2023 e retomar áreas dominadas por gangues armadas em Porto Príncipe.
Recentemente, discutiu-se a possibilidade de destituir Fils-Aimé, o que levou os EUA a enviar três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul. A embaixada dos EUA declarou que a presença dos navios reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança e estabilidade do Haiti.
Reação Internacional e Segurança no Haiti
O professor Ricardo Seitenfus, especialista em Haiti, relatou que houve uma tentativa final de destituir Fils-Aimé antes do término do mandato do CPT. Ele destacou que, apesar das dificuldades, a situação de segurança no Haiti melhorou, com o governo recuperando o controle de áreas antes dominadas por gangues. Seitenfus enfatizou que as eleições devem ser a prioridade do governo.
Após o assassinato de Jovenel Moïse, o governo haitiano tem buscado parcerias para estabelecer uma segurança mínima, incluindo um acordo com uma missão internacional de policiais liderados pelo Quênia. O Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação da Força Multinacional de Repressão a Gangues, ampliando a missão anterior.
Opinião
A situação no Haiti continua delicada, e a realização das eleições é crucial para restaurar a estabilidade política e social no país.
