O estupro coletivo sofrido por uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, trouxe à tona a urgência de uma educação clara sobre violência de gênero e educação sexual. Estudantes protestaram em 10 de outubro em frente à reitoria da escola, exigindo medidas efetivas para proteger as mulheres.
A Polícia Civil investiga mais dois casos de ataques a estudantes do Pedro II, relacionados ao mesmo grupo envolvido no estupro coletivo. Um adolescente, apontado como mentor das emboscadas, está entre os suspeitos.
Demandas dos Estudantes
A estudante Ana Belarmino, porta-voz dos alunos, destacou a importância de retomar as aulas sobre educação sexual. Durante o protesto, ela ressaltou que a falta de conhecimento sobre o próprio corpo pode levar a vítimas a duvidar de sua experiência de violência: “Se existisse, de fato, esse conhecimento, a gente não teria uma aluna sem saber se tinha sido abusada ou não”.
O estudante Gabriel Pinho Leite Monteiro, presidente do grêmio do campus Humaitá, também defendeu a necessidade de ações contra assédio moral e sexual, afirmando que isso não deve ser confundido com doutrinação política. “Precisamos que o espaço educacional seja direcionado a formar novos indivíduos, principalmente novos homens, que não violentem mais as mulheres”, afirmou.
Políticas e Pressões
Os alunos criticaram a falta de implementação de uma política contra assédio, aprovada em 2025. Recentemente, em 9 de outubro, a reitoria criou uma comissão para lidar com casos de assédio moral e sexual. No entanto, a professora Priscila Bastos alertou que a escola não está preparada para lidar com essas situações, mencionando entraves burocráticos que atrasam a apuração de denúncias.
Além disso, a pressão de movimentos como o “escola sem partido” foi citada por Ana como um fator que silencia o debate sobre temas cruciais. Ela lembrou que, em 2019, a escola foi invadida por parlamentares em busca de material didático, mas não encontraram nada irregular.
Opinião
A situação no Colégio Pedro II é um reflexo de um problema maior que afeta instituições de ensino em todo o Brasil. É essencial que a sociedade se una para garantir uma educação que proteja e respeite todos os alunos.





