A rotina da produtora rural Elisiane Soster começa cedo em Belmonte, cidade do Extremo Oeste de Santa Catarina, onde ela e sua mãe, Salete Pasini Soster, gerenciam a produção de soja, milho e leite. Com uma propriedade que conta com cerca de 45 vacas em lactação e 70 hectares de lavoura, Elisiane faz parte de um grupo restrito no Brasil: mulheres agricultoras que lideram seus negócios.
Segundo o censo agropecuário do IBGE de 2017, apenas 18,7% das propriedades rurais são lideradas por mulheres, um número que reflete a invisibilidade feminina no campo. Apesar de as mulheres representarem 45% da força de trabalho na agropecuária brasileira, a presença delas em cargos de liderança ainda é escassa.
Iniciativas da Epagri para o empoderamento feminino
Para mudar esse cenário, a Organização das Nações Unidas declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Em Santa Catarina, a Epagri tem se empenhado na capacitação de mulheres para fortalecer sua liderança no campo. De 2019 a 2025, mais de 1.300 mulheres foram capacitadas pelo curso Flor-E-Ser, que visa desenvolver habilidades em gestão, empreendedorismo e liderança.
A coordenadora do Programa Capital Humano e Social da Epagri, Cianarita Caron Figueiró, destacou que o número de mulheres capacitadas dobrou nos últimos dois anos. Muitas participantes relatam que o curso transformou suas vidas, permitindo que assumissem funções estratégicas na gestão de suas propriedades.
Capacitação e sucessão rural
Outro programa relevante é o Ação Jovem Rural, que capacitou mais de 320 mulheres entre 2021 e 2025, preparando-as para a sucessão familiar. Apesar de a maioria dos participantes ainda ser composta por homens, a Epagri espera aumentar o interesse feminino nas próximas edições.
Elisiane Soster, que assumiu a propriedade após a morte de seu pai, reconhece a importância dessas capacitações. “Os cursos me ajudaram a enxergar a sucessão não como algo automático, mas como um processo que precisa de diálogo, planejamento e visão de longo prazo”, afirma.
Desafios e conquistas
Elisiane é também coautora do livro ‘Rainhas Internacionais do Agro’, onde aborda a crescente presença feminina na gestão rural. Ela observa que muitas mulheres ainda não se reconhecem como gestoras, mas estão começando a ocupar posições de liderança. “A gestão não tem gênero, tem competência e responsabilidade”, conclui.
Opinião
O trabalho da Epagri em capacitar mulheres é fundamental para a transformação do setor agrícola e para a promoção da igualdade de gênero no campo.






