Pesquisadores da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificaram a invasão do chital (Axis axis), um tipo de cervo nativo de florestas da Índia, em uma região pantaneira, a 100 km de Corumbá, em janeiro de 2023. Este é o primeiro registro do chital no Brasil desde 2009, e sua presença levanta preocupações sobre os riscos que representa para o ecossistema local.
O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), que já é ameaçado de extinção, pode sofrer ainda mais com a competição por recursos alimentares e a introdução de doenças que o chital pode trazer. Os pesquisadores afirmam que, por ser uma espécie invasora, o chital pode pesar mais de 100 kg e causar desequilíbrio na fauna local.
Impactos e Riscos
Até o momento, apenas um indivíduo chital foi confirmado no Pantanal, mas os especialistas consideram a situação alarmante. Eles alertam que o governo federal precisa implementar uma política eficaz para controlar a invasão de espécies que podem se tornar pragas, como o chital. Segundo os pesquisadores, a falta de governança adequada para o controle de espécies invasoras no Brasil, como o javali, agrava a situação.
Comércio e Preocupações
O chital continua disponível para compra no Brasil, com preços variando de R$ 10 mil a R$ 20 mil, sendo promovido como uma espécie ornamental. Essa prática levanta questões sobre o ecoturismo e a conservação da biodiversidade. O avistamento do chital, que atacou touros em uma fazenda, gerou preocupação entre os trabalhadores locais e chamou a atenção dos pesquisadores.
Aumento de Espécies Invasoras
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) relatou um aumento de 9% nas espécies invasoras no Brasil entre 2024 e 2025. Este crescimento inclui seis novas espécies exóticas invasoras na fauna e 20 na flora. O ICMBio destaca que esse aumento reflete um monitoramento mais eficaz da biodiversidade nas áreas protegidas.
Opinião
A invasão do chital no Pantanal é um alerta sobre a fragilidade do nosso ecossistema. A necessidade de ações imediatas e efetivas para controlar espécies invasoras é urgente para proteger a fauna nativa.
