O banqueiro Daniel Vorcaro se negou a informar a senha de seu celular durante um depoimento prestado à Polícia Federal (PF) no dia 30 de dezembro do ano passado. O aparelho foi apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
O depoimento foi conduzido pela delegada Janaina Palazzo nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF), após determinação do ministro Dias Toffoli, que é o relator do caso. Durante a oitiva, a delegada solicitou autorização para acessar o celular de Vorcaro. No entanto, o banqueiro e seu advogado afirmaram que desejavam preservar suas “relações pessoais e privadas”.
Ao se recusar a fornecer a senha, Vorcaro declarou que seu objetivo é restabelecer a verdade e negou a ocorrência de fraudes no Banco Master. “O que eu mais quero é restabelecer a verdade. Essa fraude que foi colocada, ela não existiu, e não era para ter liquidado o banco. Não era para eu estar passando por isso”, afirmou.
Mais cedo, o ministro Toffoli retirou o sigilo do depoimento de Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no inquérito que investiga as fraudes. Em dezembro do ano passado, Toffoli decidiu que a investigação sobre o Banco Master deve prosseguir no STF, e não na Justiça Federal em Brasília, devido à citação de um deputado federal nas investigações, já que parlamentares possuem foro privilegiado na Corte.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), que é um banco público ligado ao governo do Distrito Federal. As investigações indicam que as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
Opinião
A recusa de Vorcaro em fornecer a senha do celular levanta questões sobre a transparência e a busca pela verdade nas investigações em curso.





