A Polícia Federal encontrou conversas no celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, onde ele relata ter sido pressionado para realizar pagamentos ao resort Tayayá, vinculado a empresas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Nas mensagens, Vorcaro autorizou transferências que totalizaram R$ 35 milhões ao Tayayá, conforme conversas com seu cunhado, Fabiano Zettel. O material foi incluído na documentação que a PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, na última semana.
Decisão do STF
Após a entrega do material, o STF decidiu que Toffoli deixaria a condução do inquérito, que agora está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça. As mensagens mostram que, em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel sobre um aporte relacionado ao resort, expressando preocupação com a situação financeira: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”.
Zettel teria respondido que poderia resolver na semana seguinte. Além disso, a empresa de Toffoli e sua família, Maridt, possui participação no resort até 2025, conforme admitido pelo ministro recentemente.
Mensagens reveladoras
As conversas sob a posse da PF também incluem uma mensagem de Zettel mencionando “Tayaya – 15”, que a PF interpreta como uma referência a R$ 15 milhões. Vorcaro então respondeu: “Paga tudo hoje”. Em agosto de 2024, ele questionou novamente sobre o negócio do Tayayá, e Zettel informou que o valor havia sido enviado a um intermediário.
Vorcaro expressou sua frustração: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu que o dinheiro estava no fundo dono do Tayayá e que transferiria as cotas. Vorcaro ainda pediu um levantamento das transferências realizadas, ao que Zettel confirmou que já tinham sido pagos R$ 20 milhões anteriormente e mais R$ 15 milhões agora.
Reações e desmentidos
Tanto Toffoli quanto as defesas de Vorcaro e Zettel não se pronunciaram sobre as revelações. Em nota, Toffoli reconheceu ter recebido dividendos da Maridt, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro.
Opinião
A gravidade das mensagens encontradas levanta questões sérias sobre a relação entre finanças e política, exigindo transparência e investigação rigorosa.
