Um relatório da plataforma de dados RWA Monitor revelou que o mercado de ativos tokenizados no Brasil cresceu 1.134% em apenas doze meses, atingindo um volume impressionante de R$ 1,506 bilhão em janeiro de 2026. Este crescimento significativo é comparado ao volume de emissões de tokens de R$ 122 milhões registrado no mesmo mês do ano anterior.
De acordo com o analista e fundador do RWA Monitor, Rodrigo Caggiano, o avanço no mercado é resultado de uma expansão coordenada entre plataformas, originadores e investidores institucionais. Ele destacou que a combinação de plataformas mais maduras e capital institucional gerou um efeito de rede, acelerando a adoção de ativos tokenizados em um ritmo exponencial.
Operações sob a Resolução 88 da CVM
O relatório também chamou atenção para o volume das ofertas estruturadas sob a resolução 88 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regulamenta investimentos em crowdfunding. Apesar de ser a norma oficial para tokenização no Brasil, o volume dessas operações foi menor do que o esperado. Nove tokenizadoras realizaram operações sob essa resolução, totalizando um volume de R$ 160,5 milhões.
As operações incluíram debêntures tokenizadas, que somaram R$ 76,6 milhões; notas comerciais, com R$ 32,4 milhões; recebíveis de cartões, totalizando R$ 29,3 milhões; renda variável digital, com R$ 10 milhões; duplicatas, que somaram R$ 7,4 milhões; Cédulas de Crédito Bancário – CCBs, com R$ 4,6 milhões; e Cédulas de Produto Rural – CPRs, que totalizaram R$ 200 mil.
Emissões Privadas e o Papel da VERT
As demais ofertas foram estruturadas com base na resolução CVM 160 ou organizadas como emissões privadas. Neste segmento, apenas duas tokenizadoras estão ativas, e a VERT destacou-se ao responder sozinha por R$ 1,3 bilhão em emissões em janeiro. A outra tokenizadora, Liqi, não realizou nenhuma oferta no mês passado.
Além disso, as emissões privadas de quatro tokenizadoras totalizaram apenas R$ 1,6 milhão, evidenciando que este mercado ainda é pequeno em comparação às ofertas reguladas.
Opinião
O crescimento acelerado do mercado de ativos tokenizados no Brasil reflete uma nova era de inovação financeira, mas também levanta questões sobre a regulamentação e a participação de investidores.
