A análise das prévias operacionais do quarto trimestre de 2025 das empresas de real estate brasileiras listadas na B3 revela um setor em ritmos distintos, dependendo do segmento de atuação. Os relatórios dos bancos, emitidos em 12 de dezembro de 2025, indicam que as empresas focadas em baixa renda mantiveram um desempenho consistente, enquanto aquelas voltadas à média e alta renda apresentaram resultados mais variados.
Destaques do Setor de Baixa Renda
A Cury se destacou ao reportar uma geração de caixa de R$ 321 milhões no 4T25 e R$ 683 milhões no acumulado de 2025, além de pré-vendas líquidas que somaram R$ 1,44 bilhão, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. A empresa é considerada uma referência no segmento de baixa renda, com uma velocidade de vendas elevada.
A MRV também apresentou resultados positivos, gerando R$ 175 milhões em caixa no segmento Minha Casa Minha Vida, impulsionada pela melhora nos repasses. Esses resultados são um reflexo da forte demanda e do crédito direcionado para habitação.
Resultados Mistos no Segmento de Média e Alta Renda
Por outro lado, a Cyrela enfrentou uma queda significativa de 32% nas vendas líquidas em comparação anual, além de uma redução na velocidade de vendas, que caiu de 32% para 17%. O BTG Pactual classificou esses números como suaves, mas em linha com as expectativas, destacando que a demanda pelos projetos lançados ainda se mantém saudável.
A Even, no entanto, teve um desempenho positivo, com um crescimento de 42% nas vendas líquidas na comparação anual, concentrando 88% das vendas em estoques. A Lavvi alcançou uma velocidade de vendas de 28%, embora inferior aos 37% do mesmo período do ano anterior.
A Plano&Plano também se destacou, registrando vendas líquidas de R$ 1,47 bilhão, uma alta expressiva de 125% em relação ao ano anterior. Esses resultados mostram uma boa absorção dos projetos, mesmo após um volume significativo de lançamentos.
Desafios e Oportunidades
Apesar dos bons resultados de algumas empresas, o cenário macroeconômico continua desafiador, com juros elevados e um consumidor mais cauteloso. As empresas precisam avaliar não apenas o volume de vendas, mas também a conversão dessas vendas em caixa. O desempenho das empresas de média e alta renda, como a Helbor, que registrou um crescimento de 28% nas vendas líquidas, e a Melnick, com um aumento de 65% nas pré-vendas líquidas, demonstra que ainda há oportunidades no setor.
Opinião
As prévias do 4T25 revelam um setor imobiliário que, embora apresente resultados variados, ainda possui empresas que se destacam pela resiliência e capacidade de adaptação ao mercado.
