Correios enfrentam uma situação financeira crítica, acumulando um rombo de mais de R$ 6 bilhões em 2025, e agora geram polêmica ao contratar, sem licitação, o escritório Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advogados por R$ 800 mil. A contratação visa a defesa de ex-dirigentes investigados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por possíveis irregularidades nos balanços de 2023.
A decisão, iniciada pela diretora Juliana Picolli Agate, ocorreu em um processo que está em sigilo, identificado como TC 015.834/2024-7, e que investiga suspeitas de “pedaladas fiscais” durante a gestão de Fabiano Silva Santos na presidência dos Correios. Apesar de contar com cerca de 300 advogados em seu quadro funcional, a estatal optou por uma dispensa de licitação para contratar o escritório.
Segundo informações obtidas, o escritório contratado foi incumbido de atuar em quatro pilares na defesa dos Correios, incluindo a estratégia de “afastar a responsabilização pessoal do dirigente da entidade”. E-mails internos revelam que a diretoria da estatal concordou com essa abordagem, embora a jurisprudência do TCU indique que recursos públicos não devem ser utilizados para isentar gestores de responsabilidade pessoal.
Os Correios defenderam a contratação como uma prática comum em empresas públicas e privadas, mas não comentaram os valores envolvidos. O escritório, por sua vez, não apresenta em seus canais institucionais informações sobre atuação em administração pública ou processos no TCU.
Desdobramentos e Críticas
Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023, a situação financeira dos Correios se deteriorou rapidamente. Em dezembro de 2025, o governo federal atuou como fiador de um empréstimo de R$ 12 bilhões, o que levanta preocupações sobre o uso de dinheiro do contribuinte para cobrir eventuais prejuízos.
Na próxima semana, os Correios planejam iniciar a primeira etapa de leilões de imóveis em diversos estados, com o objetivo de levantar até R$ 1,5 bilhão para ajudar a reduzir o rombo financeiro da estatal.
Opinião
A contratação de advogados sem licitação em um cenário de crise financeira levanta questões sobre a responsabilidade e a transparência na gestão dos recursos públicos, que devem ser sempre priorizados.
