Economia

Copom do Banco Central sinaliza corte de Selic e mercado reage com otimismo

Copom do Banco Central sinaliza corte de Selic e mercado reage com otimismo

Os juros futuros recuam no pregão desta terça-feira, após a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçar a expectativa da maioria do mercado de que o colegiado irá começar o ciclo de cortes de juros com uma redução de 0,50 ponto percentual da Selic em março, em vez de um movimento mais contido, de 0,25 ponto.

Nesse contexto, a perspectiva otimista do mercado se junta a um ambiente local bastante favorável, com forte queda do dólar em meio a um fluxo de capital estrangeiro que dá sequência ao processo de diversificação de investimentos para mercados emergentes.

Por volta de 13h25, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 tinha leve queda de 13,45%, do ajuste anterior, para 13,43%; a do DI de janeiro de 2028 cedia de 12,715% a 13,675%; a do DI de janeiro de 2029 recuava de 12,76% para 12,705%; e a do DI de janeiro de 2031 anotava baixa de 13,145% a 13,07%.

Embora tenha ressaltado que a extensão e a magnitude dos cortes da Selic serão consideradas ao longo do ciclo, a ata do Copom não afastou a ideia de que a flexibilização monetária pode começar com um movimento mais arrojado no mês que vem. Diante disso, o Santander revisou a sua projeção para a reunião de março e agora espera um corte de 0,5 ponto da Selic, em vez de 0,25 ponto.

“A ausência de uma orientação destinada a recalibrar as expectativas em torno de [corte de] 0,25 contra 0,50 ponto é importante: com a flexibilização já sinalizada, o Comitê parece indiferente ao tamanho do primeiro passo, priorizando a credibilidade e a consistência narrativa em detrimento do ajuste fino dos preços iniciais”, escreve o economista Marco Antonio Caruso, em relatório, que vê o Copom confortável com a precificação do mercado de corte maior.

“Diante de um cenário de inflação de curto prazo benigno, atividade fraca no final de 2025 e o contexto de dólar mais fraco, a falta de resistência do Copom à precificação do mercado apoia uma mudança em direção ao corte de 0,5 ponto em março, ao mesmo tempo em que mantém os juros contracionistas depois”, conclui Caruso.

O mercado de opções digitais de Copom corrobora a leitura do economista: hoje, a chance precificada de corte de 0,5 ponto sobe de 53% para 59%, ao passo em que a probabilidade de corte de 0,25 ponto recua de 32% a 27%. Há, ainda, uma chance minoritária de 7,5% precificada para um corte de 0,75 ponto percentual, e apenas 5,5% para que a Selic siga parada em 15%.

O bom humor do mercado com a perspectiva monetária e o contexto global favorável a emergentes superou, inclusive, eventuais pressões vindas da grande oferta de 2 milhões de NTN-B feita pelo Tesouro Nacional hoje. Para dois operadores de renda fixa, o leilão pouco afetou as taxas de juros nominais e reais, e o desempenho um pouco inferior dos juros futuros em relação ao dólar se deve ao fato de que a curva a termo já precifica um ciclo considerável de cortes da Selic, ao redor de 3 pontos percentuais – o que levaria a Selic a 12% entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

Opinião

A expectativa de cortes na Selic traz um alívio ao mercado, mas é crucial acompanhar a evolução das condições econômicas.