Internacional

Conselho Ulama da Indonésia pede saída do país do Conselho de Paz dos EUA

Conselho Ulama da Indonésia pede saída do país do Conselho de Paz dos EUA

A pressão interna está aumentando na Indonésia para que o país se retire do Conselho de Paz liderado pelos Estados Unidos. O sentimento antiamericano cresce em nações do Sudeste Asiático, especialmente após os recentes ataques ao Irã realizados por Estados Unidos e Israel.

O Conselho Ulama da Indonésia, principal órgão clerical muçulmano do país, emitiu um comunicado no qual afirma: “Com este ataque ao Irã, o presidente dos Estados Unidos, Trump, desencadeou um conflito regional entre diversas forças”. O conselho instou o governo indonésio a se retirar do Conselho de Paz, criado para supervisionar o cessar-fogo em Gaza, alegando que ele “provavelmente será ineficaz para trazer verdadeira independência à Palestina”.

A Indonésia participou da reunião inaugural do Conselho de Paz em Washington e anunciou o envio de cerca de 8 mil soldados para ajudar a manter a segurança em Gaza. Além disso, um grupo de 65 pessoas, incluindo professores e advogados, e 79 organizações da sociedade civil assinaram uma petição exigindo a retirada imediata do conselho. Alguns membros do parlamento também pediram a saída.

Governos árabes criticaram os ataques com mísseis e drones do Irã contra estados árabes de maioria sunita no Golfo Pérsico, em resposta aos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel. O ressentimento público contra Israel e os Estados Unidos aumentou, especialmente entre as nações de maioria muçulmana, onde quase 90% da população indonésia se identifica como muçulmana.

O parlamento da Malásia, onde cerca de 60% da população é muçulmana, também condenou os ataques ao Irã em uma votação unânime. O primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, expressou condolências pelas mortes do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de seus comandantes. O parlamentar Syahredzan Johan convocou boicotes a eventos na Embaixada dos Estados Unidos em Kuala Lumpur.

O sentimento antiamericano se intensificou na região, especialmente com o agravamento do conflito entre Israel e o grupo militante palestino Hamas em outubro de 2023. Boicotes a produtos dos Estados Unidos, como os da Starbucks, estão se tornando mais comuns, afetando os lucros de empresas locais. Embora esses boicotes tivessem mostrado sinais de arrefecimento, o recente ataque ao Irã pode reacendê-los.

Enquanto isso, muitos países do Sudeste Asiático adotam uma postura neutra em relação à diplomacia, especialmente devido às disputas entre Estados Unidos e China. Um sentimento antiamericano mais forte pode afastá-los ainda mais de Washington. Contudo, Jacarta ainda não criticou os Estados Unidos por iniciarem uma guerra com o Irã. O governo indonésio lamentou o “fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã“, que resultou na escalada militar no Oriente Médio, mas a declaração foi considerada fraca por alguns analistas, pois não culpa Washington de forma contundente.

Opinião

A crescente pressão interna sobre a Indonésia reflete um sentimento mais amplo no Sudeste Asiático, onde a população muçulmana se sente cada vez mais desconectada das ações dos Estados Unidos.