Economia

Conflito no Oriente Médio ameaça agronegócio brasileiro com alta de custos

Conflito no Oriente Médio ameaça agronegócio brasileiro com alta de custos

A escalada dos conflitos no Oriente Médio desde 28 de março de 2026 colocou o agronegócio brasileiro em alerta. O setor, fortemente internacionalizado, deve ser um dos mais afetados pela instabilidade geopolítica, que já provoca reflexos em rotas do comércio internacional e em custos de insumos essenciais para a produção.

Uma das maiores preocupações é com o mercado de ureia, principal fertilizante à base de nitrogênio utilizado na agricultura. O Irã é um dos mais importantes fornecedores globais deste insumo, sendo o décimo maior exportador de ureia para o Brasil em 2025. O Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia no ano passado, com 51,7% provenientes de países como Nigéria, Omã e Catar.

Os preços de fertilizantes nitrogenados já começaram a subir no Brasil em 2 de março de 2026, acompanhando a alta global. A consultoria Argus informou que produtores do Oriente Médio retiraram ofertas de venda do mercado devido à escalada das tensões na região, o que pode dificultar o abastecimento total de ureia.

A alta nos preços do petróleo, que acumulou 15% desde os ataques em março, impacta diretamente os custos de transporte, uma vez que a maior parte da produção interna do agro brasileiro é transportada por via rodoviária. O preço do barril de petróleo e a cotação do dólar, que alcançou R$ 5,28 em 3 de março, também elevam os custos de insumos, mas podem favorecer as exportações brasileiras.

O Irã é um importante importador de produtos do agro brasileiro, tendo comprado US$ 1,98 bilhão em produtos em 2025, com o milho sendo o principal produto exportado. Apesar da crise, o volume de compra de milho não deve ser afetado significativamente, mas o aumento nos custos de produção pode impactar outras cadeias, como a da carne.

O setor de carne bovina enfrenta preocupações com o fechamento do Estreito de Ormuz, vital para o escoamento de exportações. O Brasil lidera a produção de carne halal e depende dessa rota para exportar mais de 28 mil toneladas mensais. O fechamento da rota pode complicar o transporte e aumentar os custos.

Opinião

A instabilidade no Oriente Médio traz incertezas para o agronegócio brasileiro, que precisa se adaptar rapidamente a um cenário de custos crescentes e possíveis limitações logísticas.