A comunidade quilombola Antinha de Baixo, localizada em Santo Antônio do Descoberto, Goiás, enfrenta desafios diários que impactam a vida de cerca de 400 famílias. As crianças, como o menino Aleandro, de apenas 6 anos, precisam percorrer um caminho de quase 2 km na escuridão para chegar à escola, enfrentando uma estrada estreita e cheia de obstáculos.
Às 6h10, uma Kombi transporta pelo menos 12 crianças para as escolas municipais, mas a situação já foi pior. O idoso Seu Joaquim, de 87 anos, é a pessoa mais velha da comunidade e vive na mesma casa onde nasceu. Ele acompanha as crianças e expressa esperança de que as novas gerações não enfrentem as mesmas dificuldades que ele.
Certificação e Luta por Direitos
Em 2022, a comunidade recebeu o certificado de autorreconhecimento como remanescente de quilombo, após uma longa batalha judicial contra fazendeiros e grileiros que contestavam a posse do território. A conquista foi um passo importante, mas a demarcação e titulação do território ainda são esperadas para 2027.
A associação de famílias, agora registrada com 120 membros, luta por melhorias na infraestrutura local, incluindo iluminação e transporte para a escola. Willianderson Moreira, presidente da associação, destaca a necessidade urgente de creches, escolas e postos de saúde na região.
Desafios do Dia a Dia
As crianças, como Tawane, de 15 anos, e Débora, de 6 anos, enfrentam dificuldades para estudar. Tawane, que sonha em fazer faculdade, já teve que atravessar um córrego para chegar ao transporte escolar. O transporte público é escasso, e a comunidade depende da solidariedade entre os moradores para emergências, já que o hospital mais próximo fica a 20 km de distância.
As famílias também enfrentam problemas relacionados à saúde, pois não há agentes de saúde que cheguem até suas casas. Roberto Braga, pai de Aleandro, expressa sua preocupação com a saúde dos filhos e do pai idoso, que já enfrentou problemas em busca de atendimento médico.
Opinião
A luta da comunidade quilombola Antinha de Baixo por seus direitos e melhorias na qualidade de vida é um reflexo da resistência e da esperança de um futuro melhor. É essencial que as autoridades ouçam suas demandas e atuem para garantir condições dignas para todos.





