Pais de alunos do 5º ano do Colégio Lourival Martins Fagundes, conhecido como Funlec (Fundação Lowtons de Educação e Cultura), em Campo Grande, foram surpreendidos com a retirada do livro ‘Orum Ayê: Um mito africano da criação’, escrito por Raimundo Matos de Leão. A obra, que aborda a criação do mundo segundo a mitologia iorubá, foi distribuída no dia 19 de outubro e, no dia seguinte, já estava sendo requisitada para devolução.
Segundo o comunicado da Funlec, enviado aos pais, o livro “não está de acordo com a coleção previamente solicitada à editora” e seria substituído por um exemplar correto. A mensagem pedia compreensão das famílias e se desculpava por qualquer desconforto. Contudo, a situação gerou estranhamento entre os responsáveis, que suspeitam de possíveis reclamações de outros pais sobre a temática da obra.
Um dos pais relatou que a professora já havia percebido que o título não era o escolhido, mas mesmo assim a obra foi entregue. “Certeza de que isso foram pais conservadores reclamarem da temática do livro”, afirmou o responsável. Outro pai expressou frustração, dizendo que a situação contradiz os esforços para educar as crianças sobre respeito e igualdade.
Mais de 300 livros foram recolhidos em Campo Grande e Bonito, onde a Funlec também possui unidade. O colégio utiliza o sistema de ensino do Anglo, que obedece à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e à Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. O livro está no catálogo do sistema Anglo e é uma referência importante do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
A obra ‘Orum Ayê’ é um reconto de mitos africanos, narrados e ritualizados pelos seguidores do candomblé até hoje. O livro narra a criação do mundo e a separação entre o Orum (Céu) e o Ayê (Terra), enfatizando a importância da cultura afro-brasileira na educação.
Opinião
A retirada do livro levanta questões sobre a valorização da diversidade cultural nas escolas e o papel da educação na formação de cidadãos respeitosos e conscientes.





