O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitou uma investigação sobre a conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que esteve com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto logo após a morte de sua esposa, Gisele Alves Santana, em São Paulo. Gisele foi morta no dia 18 de fevereiro, e o Pedido de Providências foi aberto em 19 de fevereiro junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O CNJ informou que a apuração foi solicitada para obter mais informações sobre a conduta de Cogan, após a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionar o conselho, sugerindo uma investigação disciplinar por possível violação de imparcialidade. Cogan esteve no apartamento do casal no Brás minutos após Gisele ser atingida por um tiro na cabeça.
O desembargador chegou ao prédio às 9h07, após Gisele ter sido levada ao hospital, onde sua morte foi confirmada pouco depois do meio-dia. Geraldo Neto, que foi preso no mesmo dia, é o principal suspeito de feminicídio, alegando que a esposa teria cometido suicídio.
Câmeras de segurança registraram Cogan no corredor do edifício, e em depoimento à polícia, ele relatou que recebeu uma ligação de Geraldo, que é seu amigo próximo, informando sobre o suposto suicídio. O desembargador disse que foi ao local para ajudar o amigo, mas outros policiais tentaram impedir Geraldo de voltar ao apartamento para evitar a alteração da cena do crime.
O delegado Lucas de Souza Lopes, responsável pelas investigações, afirmou que o depoimento de Cogan foi consistente, mas indicou que sua presença no local poderia sugerir uma estratégia de Geraldo para mostrar proximidade com figuras importantes no sistema judiciário. O tenente-coronel, que se tornou réu por feminicídio e fraude processual, permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes.
Opinião
A investigação do CNJ sobre o desembargador Cogan levanta questões importantes sobre a imparcialidade e a ética no sistema judiciário, especialmente em casos tão delicados como o feminicídio.





