Autoridades chinesas solicitaram que bancos do país limitem suas compras de Treasuries, os títulos do governo dos Estados Unidos. Esta decisão, segundo fontes familiarizadas com o assunto, inclui instruções para que as instituições financeiras com alta exposição a esses ativos reduzam suas posições.
A medida, embora apresentada como uma forma de diversificação de risco, pode sinalizar uma tendência global crescente. Países como Índia e Brasil também têm diminuído sua exposição ao maior mercado de títulos do mundo, em meio a crescentes incertezas sobre a atratividade dos ativos americanos.
Queda nas Posições de Treasuries
As posições em Treasuries mantidas por investidores na China caíram para US$ 682,6 bilhões, o menor nível desde 2008. Este número representa uma redução significativa em relação ao pico de US$ 1,32 trilhão registrado no final de 2013. Atualmente, a China ocupa a posição de terceiro maior detentor estrangeiro de Treasuries, atrás do Japão e do Reino Unido.
Bélgica e o Crescimento nas Participações
Enquanto isso, as participações da Bélgica em Treasuries quadruplicaram desde o final de 2017, alcançando US$ 481 bilhões. Isso ocorre em um contexto onde as posições estrangeiras em títulos do governo dos EUA atingiram o maior nível da série histórica, impulsionadas por aumentos nas posições de países como Noruega, Canadá e Arábia Saudita.
Relações Estáveis e Riscos Geopolíticos
As tensões entre China e Estados Unidos ainda persistem, mas as relações se estabilizaram após uma trégua comercial no ano passado. Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez alertas a países europeus sobre possíveis vendas retaliatórias de ativos americanos, o que contribui para o desconforto em torno dos Treasuries.
Os Treasuries acumularam uma alta de 5,3% nos últimos 12 meses, destacando-se como uma opção atrativa em comparação com outros ativos. No entanto, a China, que tradicionalmente não movimenta grandes volumes no mercado de Treasuries, mostra um padrão de redução em suas participações.
Opinião
A diminuição da exposição da China aos Treasuries pode refletir uma estratégia mais ampla de diversificação, mas também levanta questões sobre a confiança no dólar americano e suas implicações para o mercado global.
