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China conclui Grande Muralha Verde no deserto de Taklamakan e enfrenta novos desafios

China conclui Grande Muralha Verde no deserto de Taklamakan e enfrenta novos desafios

A Grande Muralha da China agora tem uma versão ecológica. A chamada “Grande Muralha Verde” foi plantada no Taklamakan, um dos maiores e mais inóspitos desertos de areia do planeta. Este deserto, situado no oeste da China, ocupa cerca de 337 mil km² e vinha avançando sem pedir licença, engolindo estradas, cidades, ferrovias e campos agrícolas.

O projeto foi declarado concluído em 2024, quando Pequim finalizou a etapa estrutural de um ambicioso plano: cercar o deserto com um cinturão verde de mais de 3 mil quilômetros. O objetivo não era transformar areia em floresta tropical, mas sim conter o avanço da desertificação, proteger infraestrutura crítica e ganhar tempo em um mundo cada vez mais quente e instável.

Um deserto grande demais para ser ignorado

O Taklamakan, maior que muitos países, é responsável por tempestades de areia que já interromperam rotas comerciais e ameaçaram centros urbanos na região de Xinjiang. O custo econômico do avanço do deserto era crescente, assim como o risco ambiental. Dessa forma, o deserto passou a ser tratado como um problema de Estado, levando o país a investir na Grande Muralha Verde desde a década de 1970.

O megaprograma de reflorestamento tem como lógica criar cinturões de vegetação capazes de frear o vento, estabilizar o solo e reduzir o avanço das dunas. Isso significou plantar milhões de árvores e arbustos resistentes à seca, como o álamo-do-deserto e o tamarisco, formando corredores verdes ao longo de rodovias e ferrovias.

Estratégia de reflorestamento e inovação

O projeto ganhou escala nos anos 2000 e acelerou na última década, dentro da estratégia chinesa de combate à desertificação. Ao contrário do que se imagina, o reflorestamento no Taklamakan não foi feito com árvores altas e densas. O foco foi em espécies nativas resistentes, sistemas de irrigação por gotejamento e painéis solares que ajudam a controlar a dinâmica do vento e promovem o surgimento de vegetação rasteira.

Com mais de 90% das áreas críticas ao redor do deserto já com cobertura vegetal, o projeto visa reduzir interrupções e custos de manutenção. No entanto, os desafios ainda persistem.

Desafios na fase de manutenção

Apesar da conclusão da Grande Muralha Verde, especialistas alertam que o projeto entra agora em sua fase mais delicada: a manutenção. Com o aquecimento global, o risco de menos água disponível e temperaturas mais altas pode comprometer as áreas já estabilizadas. O governo chinês agora trata o Taklamakan como um laboratório permanente de engenharia ambiental, utilizando sensores e imagens de satélite para monitorar e ajustar continuamente o uso da água.

Opinião

A Grande Muralha Verde representa um esforço significativo na luta contra a desertificação, mas a verdadeira prova de seu sucesso será a capacidade de manutenção e adaptação às mudanças climáticas futuras.