Santa Catarina

Campo Grande registra 228,6 mm de chuva e supera média histórica; alerta é emitido

Campo Grande registra 228,6 mm de chuva e supera média histórica; alerta é emitido

A chuvarada em Campo Grande e em diversos municípios de Mato Grosso do Sul em fevereiro de 2023 já é considerada a maior em, pelo menos, três anos. Na Capital, o volume de chuva registrado neste mês já é quase o equivalente ao dobro do volume observado no mesmo mês de 2022.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até o dia 22, já choveu 228,6 milímetros em Campo Grande, frente a 116,8 milímetros em fevereiro do ano passado, uma diferença de 111,8 milímetros. O volume de chuvas já ultrapassou com folga a média esperada para todo o mês na cidade, que era de 180 milímetros. Esse volume foi alcançado no dia 19 de fevereiro, faltando ainda 9 dias para o mês terminar.

Alerta para chuvas intensas

Com o Estado em alerta para chuvas intensas até, pelo menos, o final do dia 23, fevereiro de 2023 caminha para bater a marca de 242,2 milímetros de 2022. O mês já é o mais chuvoso dos últimos três anos e, se a previsão do tempo se confirmar para a última semana do mês, há a possibilidade de que este seja um dos fevereiros mais chuvosos dos últimos 10 anos, posto ocupado pelo mês de 2019, quando o acumulado no período foi de 251,4 milímetros.

Os alertas emitidos pelo Inmet para todos os municípios do Estado avisam sobre o risco de acumulados de chuva de até 50 milímetros no dia, acompanhados de ventos intensos, podendo chegar a 60 km/h. Há risco de alagamentos, quedas de galhos e descargas elétricas.

Impacto da chuva na cidade

No início da tarde do dia 22, uma chuva rápida em várias regiões de Campo Grande já foi suficiente para a formação de enxurradas e lamaçal. No bairro Nova Lima, região Norte da cidade, crianças e adolescentes foram vistas brincando na enxurrada na rua Jerônimo de Albuquerque. Já no Portal Caiobá 2, na Rua Velia Berti de Souza, que não possui asfalto, moradores ficaram ilhados devido ao acúmulo de água na via. “A situação é recorrente e causa transtornos, risco de acidentes e sensação de abandono, já que a infraestrutura [asfalto] chegou nas ruas ao redor, mas aqui não”, relatou um morador.

Fenômenos climáticos em ação

Atualmente, o clima brasileiro está sob influência do fenômeno La Niña, quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se resfriam de forma anormal, favorecendo chuvas irregulares e volumosas especialmente na região Centro-Oeste. Normalmente, o fenômeno deixa de atuar no mês de abril, contribuindo para o retorno de períodos de seca.

Para a meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima em Mato Grosso do Sul (Cemtec), Valesca Fernandes, no segundo semestre, o Estado deve ser impactado por outro fenômeno, o El Niño, responsável pelo aumento das temperaturas. “Sobre o El Niño, ele tem um impacto indireto aqui no Estado [em relação às chuvas]. Porém, quando ele atua aqui no Estado, ele impacta na temperatura, favorecendo a ocorrência de ondas de calor e temperaturas acima da média. Há uma previsão do possível desenvolvimento do El Niño no trimestre de julho, agosto, setembro”, afirmou.

Opinião

As chuvas intensas em Campo Grande revelam não apenas a força da natureza, mas também a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura urbana para evitar maiores transtornos à população.