Caminhoneiros autônomos de todo o Brasil decidiram, em assembleia realizada em 19 de março de 2026, manter a ameaça de greve, estabelecendo um prazo de sete dias para que o governo federal responda às suas demandas. A decisão foi tomada na sede do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), em Santos.
A categoria aguarda até 26 de março de 2026 para decidir se deflagra a paralisação. Durante esse período, os caminhoneiros continuarão trabalhando normalmente. O foco das negociações é a medida provisória (MP) 1.343/2026, que traz novas regras para a fiscalização e penalizações às empresas que não cumprirem o piso mínimo do frete rodoviário.
Reclamações e propostas do governo
O presidente do Sindicam, Luciano Santos, destacou que alguns pontos da MP permitem dupla interpretação, o que pode levar ao desrespeito das regras. A principal insatisfação dos caminhoneiros é o aumento no preço do óleo diesel, que tem gerado prejuízos crescentes para a categoria.
Na assembleia, representantes do Sindicam e da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) aprovaram um indicativo de greve nacional. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmou que não promove paralisações, mas reafirmou seu compromisso com a defesa dos interesses dos caminhoneiros.
Medidas e fiscalização mais rigorosas
O governo, por sua vez, busca evitar uma nova crise como a de 2018, quando a paralisação dos caminhoneiros durou dez dias. Para isso, anunciou medidas na MP 1.343/2026, que inclui a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte. As penalidades para descumprimento das regras foram endurecidas, com multas que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação.
Além disso, o presidente Lula pediu a isenção do ICMS sobre o diesel, propondo uma compensação aos estados de 50% da renúncia do imposto por dois meses, com um custo estimado à União de R$ 3 bilhões.
Decisões judiciais e bloqueios em rodovias
A Justiça Federal também se manifestou, proibindo bloqueios em rodovias de Santa Catarina, onde a categoria havia iniciado uma paralisação. A liminar estipula uma multa de R$ 10 mil por dia para caminhoneiros que participarem de bloqueios e de R$ 100 mil diários para entidades que incentivarem tais ações.
Opinião
A situação dos caminhoneiros reflete a tensão entre a necessidade de regulamentação e a pressão por melhores condições de trabalho, evidenciando a importância do diálogo entre a categoria e o governo.





