Entidades de caminhoneiros estão em alerta e decidirão, nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, se iniciarão uma paralisação nacional. O movimento surge em resposta ao aumento significativo no preço do diesel e ao descumprimento do piso do frete, que é um valor obrigatório que as empresas devem pagar para garantir a sustentabilidade do trabalho dos motoristas.
Os caminhoneiros expressam suas principais queixas em relação aos sucessivos aumentos no preço do óleo diesel, que, na primeira semana de março, teve um aumento médio de mais de 7%, alcançando picos de 17% no Piauí. Além disso, muitos motoristas autônomos estão enfrentando dificuldades financeiras, pois muitas empresas ignoram a tabela do piso mínimo do frete, obrigando-os a arcar com os custos elevados dos combustíveis.
Impactos do cenário internacional
A situação é ainda mais complicada devido ao recente conflito entre os EUA e Irã, que impactou os preços do petróleo e, consequentemente, os custos do diesel no Brasil. O governo federal, tentando evitar uma repetição da greve de 2018, que durou 10 dias e causou desabastecimento de alimentos e combustíveis, implementou medidas como a fiscalização eletrônica da tabela de fretes e a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel.
Além disso, o presidente Lula e o ministro Fernando Haddad anunciaram subsídios para manter os preços sob controle e a Polícia Federal está em ação para investigar possíveis aumentos abusivos nos postos de combustíveis.
Mobilização de estados e riscos de desabastecimento
Até o momento, sindicatos de Santa Catarina, como os de Navegantes e associações em Itajaí, já confirmaram sua adesão ao movimento. A mobilização também conta com o apoio de representantes da Baixada Santista, em São Paulo, e da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava).
A decisão sobre a extensão nacional da paralisação será definida na assembleia geral, mas a possibilidade de uma greve levanta preocupações sobre os riscos de desabastecimento de alimentos e remédios, além de impactos significativos na economia, especialmente em um ano eleitoral.
Opinião
A crescente insatisfação dos caminhoneiros reflete um descontentamento com a gestão dos preços dos combustíveis e a necessidade de garantir condições justas de trabalho para esses profissionais essenciais.





