Apesar da queda significativa nos investimentos em startups na América Latina, as fintechs continuam a atrair a atenção de investidores. Em janeiro de 2023, a região captou US$ 311 milhões em 35 rodadas, uma mediana de US$ 5,2 milhões, conforme dados da Sling Hub. Este valor representa uma queda alarmante de 75% em relação a dezembro de 2022 e uma diminuição de 12% na comparação anual.
O Brasil se destacou como o líder em investimentos na região, com US$ 128 milhões alocados em 18 rodadas, o que corresponde a 41% do total da América Latina em janeiro. As startups que utilizam Inteligência Artificial (IA) captaram US$ 121 milhões em 20 rodadas, quase metade do capital total e mais da metade das operações realizadas.
Setores em Destaque
Os dados mostram que o mix de investimentos se manteve claro: 72% foram direcionados para equity e 28% para FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). O setor das fintechs concentrou 62% do total, seguido por management com 11% e logtech com 9%, este último registrando um crescimento impressionante de 1.504% em relação ao ano anterior.
O Brasil é reconhecido por sua regulação proporcional que estimula a concorrência e a entrada de novos participantes no mercado. De acordo com a Fitch Ratings, o Banco Central tem promovido uma agenda pró-concorrência desde a década de 2010, o que ajudou a consolidar o país como referência na região.
Desafios e Oportunidades
Entretanto, as incertezas políticas geradas pelas eleições presidenciais de 2023 podem impactar negativamente o setor. Os analistas da Fitch alertam que a proximidade das votações pode limitar a emissão de títulos e aumentar a cautela dos investidores.
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos, já contabiliza 154 milhões de consentimentos ativos em 2025, uma alta de 149% em relação ao ano anterior. No entanto, as fintechs brasileiras ainda enfrentam desafios, como a alta taxa de juros e a necessidade de inovação constante para manter a competitividade.
O Futuro das Fintechs
Os especialistas preveem que a abertura de capital das fintechs deve continuar em compasso de espera, com novas ofertas de ações ocorrendo apenas quando o mercado global estiver mais favorável. Muitas dessas empresas, que cresceram com recursos de fundos de Venture Capital e Private Equity, veem o IPO como um passo natural, buscando investidores internacionais.
Opinião
A dinâmica das fintechs no Brasil é promissora, mas os riscos associados à incerteza política e ao ambiente econômico precisam ser cuidadosamente geridos para garantir a continuidade do crescimento.
