O Brasil deve adotar uma postura cautelosa em relação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ocorridos no último dia 28 de outubro. Essa abordagem é justificada por um cenário em que o governo brasileiro busca negociações tarifárias com os americanos, enquanto mantém o Irã como um aliado no Brics, grupo de nações do Sul Global.
Na manhã do dia 28, o governo brasileiro divulgou um comunicado condenando a ofensiva e defendendo as negociações como caminho para a paz. “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores.
Cautela nas Relações Internacionais
Especialistas em relações internacionais, como o professor Feliciano de Sá Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), destacam que o Itamaraty deve encontrar uma posição intermediária entre o Irã e os Estados Unidos. Com a recente inclusão do Irã no Brics em 2024, o Brasil enfrenta o desafio de não se posicionar abertamente contra nenhum dos lados, visto que também mantém negociações com os americanos.
Há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontre com Donald Trump nos Estados Unidos no fim de março, o que pode influenciar as relações comerciais entre os países.
Impactos no Comércio Brasil-Irã
O comércio entre Brasil e Irã alcançou US$ 3 bilhões em 2025, com o Brasil exportando US$ 2,9 bilhões e importando apenas US$ 85 milhões. O principal produto de exportação para o Irã é o milho não moído, que representa 67,9% do total das exportações. Especialistas alertam que a escalada do conflito pode afetar negativamente esse comércio, especialmente se houver restrições ao transporte marítimo na região.
Opinião
A postura cautelosa do Brasil é prudente, considerando a complexidade das relações internacionais e a necessidade de proteger seus interesses comerciais e diplomáticos.






