O Brasil se destaca no cenário global ao possuir a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com depósitos que superam 500 milhões de toneladas em Minas Gerais. Empresas de diversos países, incluindo Estados Unidos, Canadá e Austrália, estão em uma corrida para garantir posições nessas reservas, com investimentos previstos que ultrapassam R$ 10 bilhões.
A primeira mina de terras raras em operação comercial no Brasil, localizada em Goiás, destaca-se como um marco nessa jornada. A Development Finance Corporation (DFC) dos Estados Unidos firmou um acordo de US$ 565 milhões com a mineradora Serra Verde para expandir a mina Pela Ema. Este movimento é visto como um exemplo positivo na busca por parcerias estratégicas em minerais críticos.
Oportunidades e Desafios
Apesar do potencial, o Brasil enfrenta desafios significativos. Atualmente, o país processa cerca de 20 toneladas anuais de óxidos de terras raras, em comparação com as 270 mil toneladas processadas pela China. A taxa Selic elevada, em 15% ao ano, e o desequilíbrio fiscal são fatores que complicam a atração de investimentos produtivos, limitando a capacidade de transformar o potencial mineral em realidade econômica.
A fragmentação das cadeias produtivas e a dependência de tecnologia são barreiras que precisam ser superadas. O professor Fernando Landgraf da USP ressalta que o Brasil ainda não dominou a cadeia produtiva das terras raras, o que o torna vulnerável a pressões externas, especialmente da China, que já demonstrou capacidade de manipular preços para desestabilizar concorrentes.
Histórico e Riscos
O risco de repetir erros históricos é palpável. O Brasil já tentou verticalizar sua produção de terras raras na década de 1960, mas falhou devido à falta de continuidade política e desafios econômicos. A presença da China no mercado global de terras raras e a concentração de exportações em produtos como minério de ferro mostram a fragilidade da estratégia atual do Brasil.
Opinião
O Brasil possui uma oportunidade única de se posicionar como líder na cadeia produtiva de terras raras, mas isso requer uma abordagem integrada que envolva investimentos em tecnologia e infraestrutura.





