Um estudo da Elos Ayta, conduzido pelo economista Einar Rivero, revela que 2025 foi um ano marcante para os grandes bancos privados brasileiros, com um lucro líquido consolidado de R$ 86,55 bilhões. Este valor representa o maior lucro nominal já registrado na série histórica, superando o recorde anterior de R$ 72,7 bilhões em 2024.
O desempenho dos bancos, que inclui Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil, mostra um crescimento significativo após a retração observada entre 2021 e 2023, quando os lucros totalizaram apenas R$ 57,4 bilhões em 2023. O avanço nominal acumulado entre 2023 e 2025 foi de 50,6%, evidenciando a resiliência e a diversificação dessas instituições no cenário econômico brasileiro.
Lucro real e ajuste pelo IPCA
Quando ajustados pelo IPCA até dezembro de 2025, os lucros mostram que o resultado de 2025 é o segundo maior da série, atrás apenas de 2019, que teve um pico de R$ 88,14 bilhões. Este dado é crucial, pois indica que, apesar do novo recorde nominal, o setor ainda está se recuperando das perdas inflacionárias acumuladas nos anos anteriores, onde entre 2021 e 2023, o lucro real caiu 16,1%.
Impacto no setor financeiro e na economia
O desempenho de Bradesco, Itaú e Santander não se limita ao setor financeiro; suas operações influenciam diretamente a oferta de crédito, o custo do capital e o financiamento do consumo e investimento produtivo no Brasil. Historicamente, os lucros desses bancos reagem ao ambiente macroeconômico e à política monetária.
O estudo aponta que a relação entre a taxa Selic e o lucro bancário não é linear. Apesar de uma alta na Selic entre 2021 e 2023, os lucros reais caíram devido à desaceleração do crédito e ao aumento da inadimplência. No entanto, a partir de 2023, com a redução da inadimplência e um crédito mais seletivo, os lucros começaram a se recuperar.
BTG Pactual e a nova dinâmica do setor
A inclusão do BTG Pactual no estudo ampliou a análise do setor. Com a incorporação deste banco, o lucro líquido consolidado dos quatro maiores bancos privados atingiu R$ 101,5 bilhões em 2025, estabelecendo um novo recorde tanto nominal quanto ajustado pela inflação. Este resultado supera o pico real anterior de R$ 93,5 bilhões em 2019 e representa um novo patamar de rentabilidade para o sistema financeiro privado brasileiro.
O BTG Pactual, com sua menor exposição ao crédito tradicional e forte atuação em mercados de capitais, trouxe uma nova dinâmica ao setor, fazendo com que os bancos se tornassem menos dependentes do ciclo clássico e mais resilientes a choques econômicos.
Opinião
Os números demonstram que os bancos privados brasileiros estão em um novo patamar de lucratividade, com uma estrutura mais diversificada e resiliente, refletindo mudanças significativas no setor financeiro.
