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Banco Central revela aumento de pagamentos por aproximação e segurança em risco

Banco Central revela aumento de pagamentos por aproximação e segurança em risco

Impulsionado pela digitalização bancária e acelerado durante a pandemia de Covid-19, o pagamento por aproximação se consolidou como um dos principais meios de transação no Brasil. Hoje, praticamente todas as maquininhas aceitam NFC, e a maioria dos celulares permite cadastrar cartões para uso imediato. Segundo dados do Banco Central do Brasil, a participação das transações por aproximação no crédito saltou de 23,1% em 2022 para 31,1% em 2023, enquanto no débito o avanço foi de 24,4% para 35,2%.

Com os smartphones respondendo por 82% do total de transações digitais realizadas no país, a tecnologia já domina o cotidiano financeiro — mas também levanta uma dúvida: é mais seguro pagar com o cartão físico ou com o celular?

Segurança do pagamento por aproximação

Para esclarecer essa questão, o TechTudo conversou com o especialista em tecnologia financeira Murilo Rabusky e com o especialista em cibersegurança Fernando Corrêa. Eles detalham como funciona a arquitetura do NFC, quais vulnerabilidades são mais exploradas pelos criminosos e quais fatores realmente devem ser considerados antes de escolher entre cartão físico ou celular na hora do pagamento.

Como funciona o pagamento por aproximação (NFC)

O NFC (Near Field Communication) é uma tecnologia de comunicação por rádio de curtíssimo alcance. A distância — geralmente inferior a quatro centímetros — não é um detalhe técnico irrelevante: ela é parte do desenho de segurança do sistema. Segundo Fernando Corrêa, o risco de interceptação remota já nasce reduzido por causa desse limite físico. O principal pilar de segurança está na criptografia dinâmica utilizada na transação, que gera um token único e válido apenas para aquela operação específica.

Cartão ou celular: qual é mais seguro?

Embora a base tecnológica seja a mesma, o celular adiciona camadas de proteção. Fernando Corrêa afirma que o pagamento via celular tende a ser mais seguro do que o cartão físico, pois exige autenticação, como biometria ou senha. Além disso, os dados ficam armazenados em um chip dedicado de alta segurança, o Secure Element.

Golpes mais comuns no pagamento por aproximação

Os especialistas afirmam que a vulnerabilidade mais explorada pelos criminosos é a humana. O golpe mais recorrente não está na tecnologia NFC, mas na manipulação do consumidor. Murilo Rabusky destaca o golpe da troca de cartão, comum em bares e restaurantes.

Como se proteger ao pagar por aproximação

Apesar da robustez do NFC, a tecnologia não elimina o fator humano. A principal vantagem do celular está na exigência de autenticação. Mesmo que o aparelho seja furtado, o criminoso ainda precisa superar o bloqueio biométrico. Manter o sistema atualizado e utilizar bloqueio de tela forte é parte essencial da proteção.

Como se proteger ao pagar com cartão

O cartão físico é um objeto que pode ser perdido ou utilizado rapidamente. Recomenda-se cobrir o código de segurança e não entregar o cartão na mão do lojista. Fernando Corrêa sugere desativar a função de pagamento por aproximação no aplicativo do banco se não for utilizada com frequência.

O que fazer em caso de cobrança indevida

Se o consumidor identificar uma transação não autorizada, o primeiro passo é bloquear imediatamente o cartão pelo aplicativo e entrar em contato com o banco para contestar a compra.

Opinião

A crescente adoção do pagamento por aproximação no Brasil traz benefícios, mas é crucial que os consumidores estejam sempre atentos às medidas de segurança para evitar fraudes.