A liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central em 21 de outubro de 2023 trouxe medo para clientes de bancos digitais. O aumento nas buscas por alternativas e o temor de que esses serviços possam “sumir do dia para a noite” revelam como episódios pontuais ainda geram dúvidas sobre a fragilidade dessas instituições.
Fragilidade não está no formato, mas na gestão
Em entrevista ao TechTudo, o especialista Marcello Marin, contador e mestre em Governança Corporativa, explica que a fragilidade de um banco não está relacionada ao seu formato digital ou tradicional, mas sim à qualidade da gestão. “Fragilidade não tem a ver com ser digital ou físico, mas com gestão, capital, controle de risco e governança”, afirma.
Banco Central como guardião do sistema financeiro
O Banco Central atua como guardião do sistema financeiro, fiscalizando e exigindo capital mínimo das instituições. Marin destaca que a intervenção do BC pode evitar crises maiores, atuando antes que problemas pontuais se transformem em crises amplas que afetem clientes e o mercado. “Muita crise é evitada antes de chegar ao cliente”, ressalta.
O que o cliente deve verificar
Com o aumento da incerteza, Marin recomenda que os clientes verifiquem se a instituição é autorizada pelo Banco Central e se os valores depositados estão dentro do limite de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele alerta: “Evitar decisões baseadas em boatos ou informações de redes sociais é fundamental, pois o pânico pode causar mais prejuízos do que o problema em si.”
Sinais de alerta em bancos digitais
Nem toda notícia negativa indica um risco iminente, mas alguns sinais merecem atenção. Mudanças bruscas nas regras, falhas na comunicação e atrasos incomuns podem indicar dificuldades operacionais. Marin enfatiza que a transparência é um dos principais indicadores de saúde institucional: “Quando o silêncio aparece, aí sim vale ligar o alerta”.
Opinião
A liquidação do Will Bank serve como um alerta para todos os clientes de bancos digitais, destacando a importância de uma gestão sólida e da vigilância constante sobre as instituições financeiras.
