Economia

Banco Central do Brasil integra stablecoins ao câmbio e desafia bancos tradicionais

Banco Central do Brasil integra stablecoins ao câmbio e desafia bancos tradicionais

O mercado global de criptoativos passa por uma transformação significativa, sendo cada vez mais reconhecido como uma ferramenta essencial para a infraestrutura financeira. Durante o programa Cripto Brasil, especialistas discutiram a crescente adoção de stablecoins, especialmente em países asiáticos como Singapura e Hong Kong, onde essas moedas estáveis são utilizadas para pagamentos cotidianos e remessas internacionais de baixo custo.

De acordo com a reportagem, as stablecoins permitem enviar dólares de forma contínua e segura para qualquer lugar do mundo, 24 horas por dia, 7 dias por semana, tornando-se uma alternativa prática e eficiente. No Paquistão, a adoção de criptomoedas tem avançado rapidamente, impulsionada por reguladores que colocaram a criptoeconomia como prioridade em suas políticas monetárias.

Enquanto a Índia recebeu impressionantes US$ 129 bilhões em remessas em 2024, cidades como Singapura já movimentam volumes de stablecoins comparáveis aos dos Estados Unidos, integrando esses ativos em setores como moda e turismo.

A reação dos bancos tradicionais a esse cenário tem sido estratégica. Inicialmente, as instituições financeiras tentaram restringir o acesso do setor de criptoativos às contas bancárias, mas agora estão buscando absorver esse mercado. Atualmente, grandes bancos brasileiros oferecem exposição direta a Bitcoin e ETFs, na tentativa de garantir que a infraestrutura dos novos serviços financeiros permaneça sob seu controle regulatório.

Caio Barbosa, CEO da Lumix, destacou que as novas resoluções do Banco Central do Brasil (519, 520 e 521) foram um marco para a clareza jurídica, permitindo a integração das stablecoins ao mercado de câmbio brasileiro. Essas normas criaram a figura das prestadoras de serviços de ativos virtuais, oferecendo a segurança necessária para que empresas utilizem blockchain em suas operações financeiras.

Na América do Sul, ao contrário da Ásia, a adoção de stablecoins é impulsionada pela busca de proteção contra a desvalorização das moedas locais e inflação. Em países como Argentina e Bolívia, o uso de ativos digitais serve como uma alternativa imediata ao dinheiro soberano, permitindo que a população preserve seu poder de compra em dólares digitais.

Opinião

O avanço das stablecoins no Brasil reflete uma mudança significativa no cenário financeiro, desafiando a posição dos bancos tradicionais e oferecendo novas oportunidades para consumidores e empresas.