O Banco Central da Colômbia anunciou um aumento significativo na taxa básica de juros, elevando-a em 1 ponto percentual para 10,25%. Esta decisão, tomada na última sexta-feira (30), representa o primeiro aumento em quase três anos e superou as expectativas de muitos analistas.
O movimento foi aprovado por um conselho dividido de sete membros, onde quatro diretores votaram a favor do aumento de 1 ponto, enquanto dois preferiram um aumento menor de 0,50 ponto e um defendeu a manutenção da taxa. A decisão foi motivada por crescentes pressões inflacionárias e um aumento nas expectativas de inflação.
Contexto Econômico
A inflação de dezembro foi registrada em 5,1%, ligeiramente abaixo do nível do fim de 2024. No entanto, a inflação subjacente subiu para 5,02%, em comparação com 4,85% em novembro. A meta de inflação de longo prazo do banco é de 3%, com uma margem de um ponto percentual.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, já havia elevado o salário mínimo em 22,7% para 2023, o que pode pressionar ainda mais os preços. Analistas preveem que a inflação ao consumidor encerre o ano em 6,32%, levando o banco a revisar sua projeção de inflação para 6,3%, um aumento considerável em relação à estimativa anterior de 4,1%.
Impactos e Reações
O crescimento econômico previsto para 2023 é de 2,6%, com estimativas de um déficit em conta corrente atingindo 2,4% do PIB em 2025. O presidente do conselho, Leonardo Villar, destacou a incerteza externa, incluindo riscos de conflitos comerciais e tensões geopolíticas.
A reação do governo não foi positiva. O ministro da Fazenda, German Ávila, expressou total desacordo com a decisão, argumentando que o crescimento econômico estava em um caminho sustentável e que juros mais altos poderiam prejudicar o consumo. O presidente Petro, por sua vez, tem defendido cortes nas taxas de juros.
Opinião
A decisão do Banco Central da Colômbia reflete um cenário econômico complexo, onde o equilíbrio entre controle da inflação e crescimento econômico se torna cada vez mais desafiador.
