Economia

Banco Central confirma conhecimento sobre ativos podres do Master desde 2025

Banco Central confirma conhecimento sobre ativos podres do Master desde 2025

O Banco Central (BC) tinha conhecimento de que as carteiras de crédito do Banco Master apresentavam graves inconsistências desde março de 2025. Essa informação foi confirmada pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, durante depoimento à Polícia Federal (PF) no final de dezembro de 2025. As carteiras foram vendidas ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões, e a liquidação extrajudicial do Master ocorreu em 18 de novembro de 2025, data em que a PF deflagrou a Operação Compliance Zero.

Desdobramentos da Negociação

A investigação revelou que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, adquiriu R$ 6,7 bilhões em ativos podres da Tirreno, que nunca movimentou dinheiro, e posteriormente os vendeu ao BRB. O BC começou a monitorar a negociação após identificar problemas, levando o BRB a relatar ao BC, em 18 de junho de 2025, a necessidade de diligências para “internalizar ativos” e cobrir as perdas.

Impacto Financeiro para o BRB

O diretor Ailton de Aquino estimou que o BRB precisará reservar cerca de R$ 5 bilhões para cobrir as perdas resultantes da negociação com o Banco Master. Ele destacou que o valor pode incluir uma provisão adicional de R$ 2,2 bilhões devido à baixa qualidade dos ativos adquiridos.

Investigação e Depoimentos

Durante as investigações, o nome do empresário Henrique Peretto surgiu como um possível avalista na negociação das carteiras da Tirreno. Peretto foi preso preventivamente na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi liberado e aguarda novas oitivas.

Reuniões e Decisões no BRB

Documentos apreendidos pela PF revelaram que em julho de 2025, Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, afirmou que a compra das carteiras era necessária para evitar a quebra do Banco Master. No entanto, Costa negou que o objetivo fosse salvar a instituição, alegando que o BRB agiu com diligência ao substituir ativos problemáticos.

Opinião

O caso do Banco Master expõe falhas significativas na fiscalização e na transparência das operações financeiras, levantando questões sobre a responsabilidade do Banco Central e a necessidade de uma revisão nos processos de monitoramento.