As investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o crédito consignado do INSS geraram preocupação no Palácio do Planalto. O empresário Augusto “Guga” Lima, ex-sócio do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, é um dos nomes que liga diretamente o escândalo ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Ambos foram alvos de um mandado de prisão preventiva na Operação Compliance Zero, iniciada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Após a revogação da prisão pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Lima e Vorcaro estão sob monitoramento eletrônico e devem prestar depoimentos entre os dias 26 e 28 de janeiro de 2026.
CredCesta e o Papel do PT
Guga Lima é uma figura central na política de crédito consignado criada durante os governos do PT na Bahia, através do programa CredCesta. Este programa, que surgiu a partir da Cesta do Povo, uma política social de abastecimento estatal, foi transformado em uma plataforma de crédito consignado entre 2015 e 2018, beneficiando servidores públicos.
Em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), Lima formalizou um acordo de compartilhamento das operações do CredCesta com o Banco Master, o que facilitou a expansão do programa. A partir de 2020, Lima se tornou sócio de Vorcaro e o modelo de crédito consignado começou a ser replicado em larga escala pelo banco.
Fraudes e Investigações em Andamento
As investigações revelam que, entre 2021 e 2025, foram firmados 338,6 mil contratos de crédito consignado, dos quais 74,3% não foram apresentados às autoridades. Isso resultou em R$ 6,7 bilhões em contratos de crédito que não puderam ser comprovados. Em contrapartida, o Banco Master apresentou ao Banco de Brasília (BRB) carteiras que totalizavam R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025, que agora estão sob investigação.
As apurações do Banco Central e da Polícia Federal estão focadas na ausência de lastro e na falta de estrutura das associações que originaram esses créditos, levantando questões sobre a governança e avaliação de risco das operações. A combinação de crédito consignado, estruturas financeiras complexas e a participação de fundos ligados ao setor público acendeu um alerta nos órgãos de controle.
Opinião
A ligação de Augusto ‘Guga’ Lima com o PT e as fraudes do Banco Master evidencia a necessidade de maior transparência e rigor nas operações financeiras, especialmente quando envolvem recursos públicos.
