O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga argumentou nesta segunda-feira, 6 de novembro de 2023, que uma política fiscal mais austera ajudaria a autoridade monetária a lidar com choques de oferta, como o atual, que afeta os preços do petróleo. Fraga participou do XII Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro.
Segundo o economista, a atual gestão do Banco Central está cumprindo seu papel no combate à inflação, mas a política fiscal fraca no Brasil tem criado fragilidades. “O que faz falta é uma política fiscal que facilite um pouco a vida do Banco Central. E isso nós não temos tido há um bom tempo”, afirmou Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos.
Ele destacou que o juro é historicamente alto no Brasil devido a uma combinação de fatores, com ênfase na política fiscal e no endividamento público. “É difícil escolher uma causa única, mas eu poria no topo da lista o papel do próprio Estado nessa história”, disse Fraga.
O ex-presidente do Banco Central também alertou sobre a necessidade de cuidado ao discutir soluções para os problemas do Brasil, afirmando que não há banco central que funcione bem com uma política fiscal fraca. “Hoje nós temos no Brasil uma política fiscal fraca, e o famoso mix da política macro está totalmente fora do lugar”, ressaltou.
Além disso, Fraga expressou preocupações em relação ao ano eleitoral, defendendo uma alternativa à polarização política. “A eleição é sempre uma preocupação e uma oportunidade. O Brasil precisa encontrar uma alternativa a essas posições polares, que não oferecem soluções para os problemas do país”, declarou, evitando apontar um nome de pré-candidato específico.
Opinião
As declarações de Armínio Fraga refletem a urgência de uma política fiscal mais robusta para garantir a estabilidade econômica e auxiliar o Banco Central em suas funções.





