O fim da patente da semaglutida, princípio ativo das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, está previsto para março de 2026 e abre espaço para a entrada de versões genéricas ou biossimilares no mercado brasileiro. A velocidade com que essas alternativas estarão disponíveis, no entanto, depende de diversos fatores, além da expiração da patente.
Segundo Andrey Freitas, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina), a rapidez na entrada dessas opções no mercado será definida principalmente pelo grau de preparação da indústria nacional, aliado à previsibilidade regulatória e à segurança jurídica no campo da propriedade intelectual. Freitas destaca que as empresas nacionais já vêm se preparando com antecedência, investindo em infraestrutura produtiva, capacitação técnica, desenvolvimento tecnológico e planejamento regulatório, o que pode reduzir o intervalo entre a queda da patente e a chegada efetiva dos produtos ao mercado.
Fila de pedidos de registro
A Anvisa já recebeu 13 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida, sendo 12 de medicamentos sintéticos e 1 de biológico. Entre as empresas interessadas estão Hypera, Biomm, EMS e Eurofarma, que anunciou uma parceria com a Novo Nordisk para a venda de novas canetas. A eficiência da análise regulatória pela Anvisa e a inexistência de litígios que possam criar incerteza jurídica também são fatores que influenciam a velocidade de aprovação.
A capacidade de avaliação da Anvisa é de até três pedidos de registro de medicamentos sintéticos e três de biológicos por semestre, o que pode impactar o tempo de espera para a liberação. A vice-presidente do Grupo FarmaBrasil, Adriana Diaféria, ressalta que a disponibilização de alternativas à semaglutida depende da submissão de dossiês robustos que comprovem a segurança, eficácia e qualidade dos produtos.
Expectativas para 2026
Embora a queda da patente seja um fator essencial, o presidente-executivo da Pró-Genéricos, Tiago de Moraes Vicente, afirma que a entrada imediata de genéricos no mercado não é garantida. Ele explica que os peptídeos sintéticos que formam a semaglutida pavimentarão o caminho para os genéricos. Diaféria acredita que, considerando o trabalho da Anvisa para otimizar as análises, é possível que alguns genéricos sejam aprovados ainda neste ano.
Opinião
A expectativa pela chegada de alternativas à semaglutida no Brasil gera esperança, mas a agilidade da Anvisa será crucial para atender a demanda do mercado.





