A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, em 3 de fevereiro de 2026, uma operação de grande alcance para apurar um suposto esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do vereador Almir Vieira (PP), na Câmara Municipal de Blumenau. A ação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Poder Judiciário, em endereços ligados ao parlamentar investigado e a terceiros apontados como possíveis intermediários do esquema.
A operação foi conduzida pelo Departamento de Investigações Criminais (DIC), com o apoio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (DECRIM). A investigação integra um inquérito instaurado em 2024, a partir de indícios de exigência de devolução de parte dos salários de assessores nomeados no gabinete parlamentar.
Durante as diligências, agentes apreenderam celulares, computadores, documentos, veículos e materiais financeiros, que serão submetidos à análise pericial. Até o momento, não houve prisões decretadas.
Vereador Almir Vieira se manifesta
O vereador Almir Vieira acompanhou parte da operação e prestou depoimento à Polícia Civil. Em uma manifestação pública, ele afirmou que a ação ocorreu por determinação judicial e declarou-se à disposição das autoridades, confiando no esclarecimento dos fatos no curso do devido processo legal.
A Câmara de Vereadores de Blumenau informou, em nota, que colabora integralmente com as investigações e ressaltou que os fatos apurados dizem respeito a condutas individuais, não havendo, até o momento, qualquer imputação institucional contra o Legislativo municipal.
Contexto jurídico
Embora o termo rachadinha não esteja tipificado expressamente na legislação penal, a prática é utilizada para descrever a exigência ou apropriação de parte da remuneração de servidores públicos, podendo se enquadrar em crimes como peculato, concussão, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A comprovação dos fatos pode ensejar responsabilização por improbidade administrativa.
Opinião
A investigação em curso levanta questões importantes sobre a integridade na administração pública e a necessidade de transparência nas ações dos representantes eleitos.
