O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), fez um pedido à comissão para a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O pedido é motivado por suspeitas de que um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master esteja relacionado a esquemas de lavagem de dinheiro.
Vieira alegou que existem “fundadas suspeitas” de que os valores pagos ao escritório não têm origem em atividades econômicas regulares, mas sim em recursos ilícitos vinculados ao crime organizado. O contrato foi firmado com Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em janeiro de 2026.
Investigações e Suspeitas
A investigação está ligada à Operação Carbono Oculto, que apura a atuação do PCC no sistema financeiro e no mercado de combustíveis. De acordo com o relator, o Banco Master teria sido irrigado por bilhões de reais provenientes de fraudes e tráfico de drogas. Mensagens de Vorcaro indicam que os pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais ao escritório de Viviane não poderiam sofrer atrasos, o que levanta suspeitas sobre a origem dos recursos.
Vieira também solicitou que Viviane Barci de Moraes seja convocada para depor na CPI, que é composta por 11 senadores, e presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). O relator destacou que a desproporção dos valores pagos em relação aos serviços prestados desafia a lógica econômica de mercado e reforça a tese de que o contrato pode ter sido utilizado para lavagem de dinheiro.
Movimentações Suspeitas
Além da quebra de sigilos de Viviane, Vieira pediu a mesma medida para o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, que também está sob suspeita de ter recebido recursos ilícitos do Banco Master. O relator argumenta que a nova empresa constituída pelo escritório em Brasília, poucos meses antes da liquidação do Banco Master, reforça a suspeita de manobras financeiras.
Desde que o contrato foi revelado, tanto Viviane quanto o ministro Alexandre de Moraes não esclareceram os serviços prestados ou justificaram os valores envolvidos. Para Vieira, isso indica que os pagamentos podem ter origem em atividades criminosas, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro.
Opinião
A situação levanta questões sérias sobre a ética e a transparência nas relações entre o setor público e privado, especialmente quando envolve figuras de alta relevância no governo.
