A crise de segurança pública foi um tema central nas preocupações eleitorais dos brasileiros nos últimos dois anos. Segundo pesquisa da Ipsos, 46% dos entrevistados apontaram a segurança como o principal problema do país. Apesar disso, o impacto dessa questão nas urnas foi surpreendentemente baixo.
No segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, Lula venceu em 144 das 200 cidades com taxa de crimes violentos letais intencionais (CVLI) acima de 57,58 por 100 mil habitantes, obtendo 63% dos votos. Esse padrão se repetiu em relação à eleição anterior, onde ele também teve um desempenho forte nessas áreas.
O Nordeste, onde a violência se agravou mais, é uma região que consistentemente vota em Lula. Das 200 cidades mais violentas, 120 estão localizadas no Nordeste, onde o ex-presidente conquistou 69% dos votos, em contraste com seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Resultados em Municípios Sem Violência
Curiosamente, Lula também obteve resultados expressivos em municípios onde não houve registro de CVLI em 2025. Em um total de 1.901 municípios sem violência, ele conquistou 51% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 49%. Essa situação revela um cenário complexo, onde a percepção de segurança não necessariamente se traduz em escolhas eleitorais.
Abstenção e Renda
Outro dado relevante é que a abstenção nas eleições caiu mais nas cidades de maior renda, o que pode indicar uma relação entre condições sociais e a participação eleitoral.
O estudo ressalta que a conexão entre a violência e a escolha do candidato é mais complexa do que se imagina. O eleitorado parece discernir entre a relevância do problema e a decisão final de voto, como apontou Jairo Nicolau em seu livro “O Brasil virou à direita”. Embora a violência seja um tema importante, não foi determinante para a escolha do candidato.
Opinião
As eleições demonstram que, apesar da preocupação com a segurança, o eleitorado brasileiro possui uma visão crítica e diferenciada sobre como essa questão impacta suas decisões políticas.





