Uma tentativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) de associar falsamente o nome do candidato Flávio Bolsonaro (PL) à exploração sexual de refugiadas ucranianas está gerando atrito internacional. O caso, que ocorreu em 24 de outubro de 2026, é monitorado por Kyiv.
Janones, um dos principais líderes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais, publicou no Instagram uma mensagem que tentava vincular Flávio a um episódio sensível da guerra da Ucrânia, especificamente o bombardeio russo à maternidade em Mariupol em fevereiro de 2022. O evento foi amplamente coberto pela mídia internacional e se tornou um símbolo da brutalidade do conflito.
Fake news e suas repercussões
Na postagem, Janones mencionou uma mulher vítima do bombardeio e alegou que uma investigação revelou uma rede internacional de prostituição financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, essa rede recrutava mulheres, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia, para encontros privados com homens poderosos, alguns dos quais seriam aliados de Flávio Bolsonaro.
No entanto, não existem provas que liguem Flávio Bolsonaro às acusações feitas por Janones. As mensagens que foram divulgadas referem-se a áudios de Vorcaro, que falam sobre o uso de empresas de fachada para intermediar o trabalho de garotas de programa, mas não mencionam Flávio. A mulher mencionada também não tem relação com a grávida resgatada em Mariupol.
Reações e investigações
O Núcleo de Estudos da Ucrânia da Universidade de São Paulo fez manifestações em redes sociais, sugerindo uma tentativa de associar, sem provas, membros da “extrema direita” às mensagens de Vorcaro. O grupo manifestou interesse em que o Ministério Público investigasse a situação, mas não há informações sobre qualquer contato entre Janones e o Núcleo.
A Representação Central Ucraniano-Brasileira, formada pela comunidade ucraniana no Brasil, também acompanha os desdobramentos do caso, que toca em questões delicadas de soberania e direitos humanos.
Opinião
O episódio revela a gravidade da disseminação de fake news em tempos de polarização política e a necessidade de responsabilidade nas informações que circulam nas redes sociais.





