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Sergio Moro planeja reforma administrativa no Paraná e gera polêmica sobre secretarias

Sergio Moro planeja reforma administrativa no Paraná e gera polêmica sobre secretarias

A redução da estrutura administrativa do Paraná foi uma das promessas de campanha de Sergio Moro (PL), que foi eleito governador do estado em 2026. O plano prevê cortes no número de secretarias e de cargos comissionados, além de medidas para reduzir a burocracia e as atividades administrativas. A implementação da reforma está prevista para janeiro de 2027, quando Moro assumirá o governo.

No documento apresentado à Justiça Eleitoral, Moro descreve a reforma como uma forma de redirecionar recursos para atender às necessidades básicas da população e valorizar os servidores públicos efetivos. O enxugamento dos gastos também é apontado como uma das premissas para viabilizar, a médio e longo prazo, a redução da carga tributária sobre o consumo, incluindo ICMS e IBS.

Histórico de reformas no Paraná

As secretarias estaduais estão entre as principais estruturas que podem ser afetadas pela proposta. Em 2026, o governo do Paraná conta com 24 órgãos operacionais. A redução de pastas, porém, não é novidade na política estadual: em 2019, quando Ratinho Junior (PSD) assumiu o governo pela primeira vez, também promoveu uma reforma administrativa para diminuir o número de secretarias. Naquele ano, a estrutura do Executivo passou de 28 para 15 secretarias, resultando em uma economia estimada de R$ 300 mil mensais por secretaria extinta.

Essa estrutura foi mantida até 2022, quando Ratinho Junior, após ser reeleito, ampliou o número de secretarias. Em novembro de 2022, o Executivo enviou à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um projeto para criar nove novas secretarias estaduais e 493 cargos destinados à estruturação das pastas no período de 2023 a 2026.

Impactos da reforma proposta

Na avaliação de Gustavo Nunes Mourão, professor-doutor do curso de Administração Pública da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a redução da máquina pública não deve ser avaliada apenas pela economia gerada, já que o impacto financeiro do corte de secretarias tende a ser relativamente pequeno diante do orçamento estadual. Em 2026, o orçamento total do Paraná é de R$ 81,6 bilhões, e até agosto, o estado dispunha de R$ 27,6 bilhões disponíveis em caixa.

O especialista alerta que a redução de equipes pode trazer desafios à administração, pois algumas secretarias podem enfrentar dificuldades para manter a capacidade técnica necessária. “Muitas vezes, a população tem a percepção de que os comissionados não fazem nada e que cortá-los gera uma grande economia. Mas há pessoas competentes ocupando esses cargos”, afirma Mourão.

Contexto político das reformas

As reformas administrativas do Paraná também ocorreram em contextos políticos nacionais distintos. Em 2019, a redução do número de secretarias estaduais acompanhou o movimento de enxugamento da estrutura administrativa do governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, após a reeleição de Ratinho Junior e a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência, o governo paranaense voltou a ampliar o número de pastas.

Para avaliar se a estratégia terá resultado, Mourão aponta que será necessário acompanhar os indicadores de desempenho da administração pública. “O principal indicador será o conjunto de entregas feitas à população”, conclui.

Opinião

A proposta de reforma administrativa de Sergio Moro no Paraná levanta questões sobre a eficiência e a real necessidade de cada secretaria, além de gerar expectativas sobre a capacidade do novo governo em atender às demandas da população.