O deputado André Janones (Rede-MG) criou um canal no WhatsApp em 5 de outubro, que rapidamente ganhou notoriedade ao alcançar 3,33 milhões de inscritos até 11 de outubro. O canal, que se autodenomina “Exército do Lula”, foi acusado de disseminar fake news contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
No dia 11 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu suspender o canal a pedido de Flávio Bolsonaro, mas essa decisão foi rapidamente revertida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou o funcionamento do canal novamente.
Funcionamento e Estratégia do Canal
O canal de Janones funcionava como uma central de ordens, onde os seguidores eram orientados a compartilhar publicações antes mesmo de assistirem ao conteúdo. Essa estratégia foi evidenciada em uma transmissão realizada no dia 8 de outubro, onde o deputado enfatizou a importância de um “comando único” e a necessidade de obediência às instruções dadas.
Um dossiê que acompanha a argumentação para a suspensão do canal aponta que, entre 8 de setembro e 11 de outubro, foram contabilizadas 8,4 milhões de encaminhamentos, além de 1.156 mensagens, 214 áudios e 33 vídeos. O dossiê também destaca 22 publicações como falsas, com alegações de que Flávio Bolsonaro reduziria aposentadorias e extinguiria benefícios sociais.
Liberdade de Expressão e Ilícitos Eleitorais
O ministro Nunes Marques do TSE, ao justificar a suspensão do canal, afirmou que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como salvo-conduto para práticas ilícitas durante o processo eleitoral. Ele destacou que a metodologia utilizada por Janones permitia que o conteúdo escapasse das remoções oficiais, dificultando o combate à desinformação nas redes sociais.
Opinião
A situação envolvendo o canal de Janones e a resposta do TSE evidencia a tensão crescente entre liberdade de expressão e a necessidade de combater a desinformação nas eleições. A atuação dos tribunais eleitorais será crucial para garantir um ambiente eleitoral justo.





