Santa Catarina

Marlene Ortiz transforma atendimento em Amambai e facilita acesso de indígenas

Marlene Ortiz transforma atendimento em Amambai e facilita acesso de indígenas

Um em cada quatro moradores de Amambai é indígena, o que torna a comunicação em guarani essencial para o acesso a serviços públicos. A pedagoga e técnica de enfermagem Marlene Ortiz atua na Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI) desde 2024, facilitando a interação entre a comunidade indígena e os profissionais durante atendimentos médico-legais.

De acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Amambai possui 9.988 moradores indígenas, representando 25,4% da população. Marlene desempenha um papel crucial ao ajudar na comunicação em situações que exigem compreensão técnica, como orientações sobre exames de DNA e emissão de documentos de identidade.

Importância da comunicação em guarani

Desde a implementação da Lei Municipal nº 2.905, que reconhece o Guarani Kaiowá como língua cooficial em Amambai, a atuação de Marlene se torna ainda mais relevante. Ela explica que, ao encontrar uma pessoa indígena, a confiança aumenta, permitindo que os usuários tirem dúvidas e se sintam mais à vontade para conversar.

Além de atender na URPI, Marlene também oferece suporte no Núcleo Regional de Identificação, onde indígenas buscam a Carteira de Identidade Nacional (CIN). Nesses atendimentos, ela esclarece dúvidas e explica as etapas necessárias para a emissão de documentos, contribuindo para que o processo seja mais acessível.

Atendimento humanizado

A experiência de Marlene com crianças, mulheres, gestantes e idosos da comunidade indígena influencia sua abordagem no acolhimento. Ela compartilha uma história sobre uma criança que estava relutante em interagir durante um atendimento. Ao invés de pressionar, Marlene sentou-se ao lado dela e começou a desenhar, o que ajudou a acalmar a criança e facilitar o exame.

O trabalho de Marlene se torna ainda mais crucial em situações de violência e morte, auxiliando familiares a compreender os procedimentos e as informações repassadas pela equipe. “Se o meu povo indígena chega, já me procura. Talvez eu não esteja aqui, mas me chamam para conversar”, afirma Marlene, reforçando a importância do vínculo com a comunidade.

Opinião

A atuação de Marlene Ortiz mostra como a inclusão e o respeito às culturas locais podem melhorar significativamente o acesso a serviços essenciais, refletindo a necessidade de um atendimento mais humanizado e acessível.