Eleições

Ministro Dario Durigan critica ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro e alerta para riscos

Ministro Dario Durigan critica ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro e alerta para riscos

O ministro Dario Durigan, da Fazenda, classificou como “ilusão barata” a proposta de ajuste fiscal apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que lidera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais de 2 milhões de votos no primeiro turno das eleições. A proposta de Flávio, que sugere cortes superiores a R$ 200 bilhões nas despesas públicas, foi criticada por Durigan, que alertou sobre os impactos negativos que tais cortes poderiam ter em programas sociais.

Em entrevista à CNN Brasil, Durigan afirmou que a reação positiva do mercado financeiro à proposta é uma “ilusão vazia” e que o modelo econômico que Flávio Bolsonaro defende é inspirado no presidente argentino Javier Milei. De acordo com o ministro, essa abordagem prioriza a redução da dívida pública sem levar em conta outros indicadores econômicos importantes, como crescimento econômico e emprego.

Críticas à gestão fiscal anterior

O ministro também rejeitou as críticas direcionadas ao governo Lula, que é acusado de gastar mais do que arrecada. Durigan destacou os esforços feitos por ele e pelo ex-ministro Fernando Haddad para reorganizar as contas públicas, citando exemplos como o bloqueio de R$ 20 bilhões no Orçamento do ano passado e o congelamento de R$ 16 bilhões neste ano. Ele ressaltou que o governo busca superávits primários crescentes.

Além disso, Durigan criticou a gestão fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que o endividamento público e o risco-país pioraram durante seu mandato. Ele questionou como seria possível implementar um corte de R$ 200 bilhões no próximo ano, destacando que essa redução afetaria praticamente toda a despesa discricionária do Executivo.

Riscos e estratégias fiscais

O ministro também expressou preocupações sobre os riscos que um ajuste fiscal agressivo poderia trazer para programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Fundo Social, além do financiamento habitacional com recursos do FGTS. Em defesa da estratégia fiscal do governo Lula, Durigan afirmou que a equipe econômica apresentou ao Congresso uma proposta orçamentária com metas de superávit primário para os próximos anos.

“Você vai matar o corpo a pretexto de vender uma ilusão? Essa é a grande pergunta”, concluiu Durigan, enfatizando a necessidade de um debate mais profundo sobre as propostas fiscais em discussão.

Opinião

A crítica de Durigan ao ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro evidencia a tensão entre diferentes visões econômicas no Brasil, ressaltando a importância de um debate equilibrado sobre o futuro fiscal do país.