O Bank of America (BofA) prevê que investidores enfrentarão dificuldades crescentes para obter “dinheiro fácil” através de investimentos relacionados à inteligência artificial (IA). Segundo a estrategista Savita Subramanian, a combinação de gastos elevados em IA e a redução dos gastos discricionários, impulsionada pela perda de empregos de profissionais de escritório, já está refletida nas posições de investimento.
Subramanian enfatiza que, a partir de agora, “gerar alfa comprando empresas beneficiadas pelo capex em IA e vendendo temas ligados ao consumo de profissionais de ‘colarinho branco’ pode exigir mais esforço”. Ela também alertou que é crucial não subestimar o apetite dos consumidores dos EUA, já que a força do capex pode estar amplamente precificada.
Setores em transformação
A análise de fundos ativos do tipo “long-only” mostra que o posicionamento em setores afetados pela disrupção da IA, como serviços de tecnologia da informação e financiamento ao consumidor, está próximo de mínimas históricas. Em contrapartida, o setor industrial apresenta um posicionamento próximo de máximas históricas em relação ao consumo discricionário.
Os gestores de fundos estão priorizando ações de equipamentos eletrônicos e componentes, segundo o BofA. Na semana anterior, a instituição já havia sugerido uma postura mais otimista, uma vez que a distribuição de riscos de mercado havia se deslocado para um cenário de alta, acompanhado por gastos robustos dos consumidores.
Impacto no consumo
Com empregos de alta remuneração em setores afetados pela disrupção da IA em risco, Subramanian prevê uma migração contínua de gastos de profissionais de colarinho branco do que é desejo para o que é necessidade. Essa mudança é evidenciada no desempenho das ações de bens de consumo básicos em comparação com as de consumo discricionário.
Embora as ações de bens de consumo básicos e discricionários tenham apresentado desempenho inferior ao S&P 500 nos últimos 12 meses, o índice S&P 500 de Bens de Consumo Essenciais subiu 4,6%, enquanto um indicador de ações de consumo discricionário caiu 3,3%. Empresas como Lululemon Athletica Inc. e Nike Inc. enfrentaram quedas de cerca de 50% no último ano.
Expectativas futuras
Subramanian considera que o posicionamento atual é “justificado”, pois a mudança do consumo para gastos de capital era uma tese central de investimento para este ano. Em uma perspectiva divulgada em novembro, os estrategistas do BofA priorizaram “capex em detrimento do consumo”, prevendo que os gastos relacionados à IA servirão como o “lastro” do mercado.
Opinião
A análise do BofA destaca a necessidade de adaptação dos investidores em um cenário em que a IA se torna cada vez mais central, enquanto o consumo tradicional enfrenta desafios significativos.





