Um radiotelescópio na Holanda fez história ao captar um sinal extremamente fraco da Voyager 1, a impressionantes 25,7 bilhões de quilômetros da Terra. Astrônomos europeus conseguiram detectar transmissões da sonda da NASA, que se afasta do sistema solar há quase 50 anos, em uma distância muito maior do que as detecções anteriores.
A detecção ocorreu no Radiotelescópio de Dwingeloo, um observatório que opera com a participação de radioamadores no nordeste dos Países Baixos. Este feito notável foi alcançado apesar das dificuldades técnicas, uma vez que a antena não havia sido projetada para a frequência de 8,4 GHz na qual a Voyager 1 transmite telemetria.
Com uma potência do sinal de cerca de 10 elevado a menos 16 watts, o sinal da sonda é extremamente fraco, comparável à potência de um relógio digital moderno, que opera com cerca de 20 bilhões de vezes mais potência. Os pesquisadores utilizaram previsões orbitais da sonda para compensar o deslocamento Doppler causado pelos movimentos da Terra e da própria nave, permitindo que eles distinguissem o sinal do ruído de fundo.
Até então, apenas a NASA conseguia captar transmissões da Voyager 1 com os equipamentos mais potentes da Deep Space Network. A detecção realizada pelo Radiotelescópio de Dwingeloo demonstra que observatórios menores, operados por especialistas, também podem manter contato com objetos nos confins do espaço interestelar.
Um marco na exploração espacial
Lançada em 1977, a Voyager 1 ultrapassou os limites do sistema solar e atualmente navega pelo espaço interestelar, a cerca de 171 unidades astronômicas da Terra. No dia 13 de novembro, a sonda alcançará um marco significativo, uma distância equivalente a um dia-luz da Terra, o que significa que qualquer sinal enviado daqui levará aproximadamente um dia completo para chegar até ela.
A longevidade da Voyager 1 impõe à NASA o desafio de administrar recursos cada vez mais limitados. Com a energia disponível diminuindo, espera-se que a nave se desligue de forma permanente durante a década de 2030.
Opinião
Esse feito ressalta a importância da colaboração entre grandes instituições e entusiastas independentes na exploração do espaço, ampliando as fronteiras do conhecimento humano.





