Desde 1996, o Brasil tem a tecnologia como sua maior aliada na manutenção da democracia. As urnas eletrônicas completam 30 anos em 2023, sendo um dos sistemas mais robustos do mundo, em termos de segurança, apuração de votos e fiscalização. Mas você já parou para pensar no que acontece após o famoso som do “confirma” e como o seu voto é protegido e garantido com sigilo absoluto?
A engenharia por trás do dispositivo teve avanços significativos nos últimos anos. Em entrevista ao Podcast Canaltech, o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, explica que o voto eletrônico surgiu como uma saída para eliminar fraudes históricas do voto de papel em três fases críticas: coleta de votos, apuração na seção eleitoral e totalização das eleições.
Votação em 2023
Este ano, a votação acontece para seis cargos eletivos: Deputado Federal, Deputado Estadual, Senador (2), Governador e Presidente. Em um dia de votação, a urna permanece em estado de espera e fechada até que o próprio cidadão a habilite utilizando sua biometria, que já atinge cerca de 90% dos eleitores brasileiros.
O secretário explica que o mesário tem apenas a função de identificar qual eleitor está na fila. A interface da urna este ano contará com uma barra de progresso no topo da tela e uma fonte adaptada de alta legibilidade para pessoas com baixa acuidade visual.
Registro Digital do Voto e Segurança
A partir do “confirma”, os votos são registrados de forma individual e organizados em ordem lexicográfica. O arquivo chamado Registro Digital do Voto (RDV) é reordenado e assinado digitalmente. Segundo Júlio Valente, “não existe nenhuma correlação entre os dados do eleitor e o voto”. Após as 17h, quando o período de votação acaba, esse arquivo é publicado na internet para que qualquer cidadão ou entidade possa baixá-lo.
Por que hackear a urna é tecnicamente inviável? Diferente de um computador tradicional, a urna eletrônica brasileira não possui hardware nem software para conexão Wi-Fi, Bluetooth ou redes cabeadas. Trata-se de um computador especializado projetado exclusivamente para coletar votos. Isso permite o Teste de Integridade no dia da eleição, realizado desde 2002, onde urnas sorteadas vão para laboratórios e têm seus resultados checados.
Camadas de Segurança
O TSE destaca que nenhuma máquina é “100% inquebrável”, mas o ataque à urna brasileira é inviável devido ao empilhamento de camadas de segurança e à janela de tempo restrita, entre 8h e 17h. Desde 2009, as urnas contam com o Módulo de Segurança Embarcado (MSE), um chip especial que valida a assinatura digital de todos os softwares antes da inicialização. Se detectar qualquer arquivo não assinado, corta a energia da placa-mãe em até quatro minutos.
O software é atualizado a cada eleição. Em relação aos novos desafios de segurança na era da inteligência artificial, o TSE já tem utilizado a ferramenta no desenvolvimento de sistemas internos e no Teste Público de Segurança (TPS), realizado em todos os anos ímpares.
Opinião
As urnas eletrônicas representam um avanço significativo na segurança do processo eleitoral brasileiro, garantindo a integridade e a confiança no voto do cidadão.





