Santa Catarina

Juiz Eduardo Trevisan afasta 19 da Santa Casa após operação de corrupção

Juiz Eduardo Trevisan afasta 19 da Santa Casa após operação de corrupção

Com a prisão de três membros da alta cúpula e o afastamento de outros 15 diretores e conselheiros, a Santa Casa deve definir sua nova diretoria até o dia 28 de setembro. A decisão foi assinada pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, que determinou o afastamento imediato de 19 membros da diretoria e do conselho de administração.

Entre os afastados estão nomes de peso como Alir Terra, ex-presidente e atualmente presa, e Heitor Miguel Scheibeler, que era o presidente em exercício. O novo gestor da instituição será Luiz Alberto Hiroki Kanamura, que ficará no cargo por 180 dias, podendo ser prorrogado. Kanamura terá a responsabilidade de reestruturar a gestão da Santa Casa, que acumula um déficit superior a R$ 544 milhões.

Operação Antidotum e suas consequências

A decisão do juiz ocorreu após a Operação Antidotum, que investiga um desvio de R$ 4,9 milhões em contratos de prestação de serviços de digitalização de prontuários. Essa operação foi realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, resultando em várias prisões e mandados de busca.

Os 19 diretores afastados estão proibidos de serem reconduzidos e de acessar as dependências do hospital. O juiz também exigiu que o novo gestor apresente mensalmente relatórios sobre a situação administrativa e financeira da Santa Casa, que enfrenta dificuldades financeiras severas.

Desafios à frente

Entre as obrigações impostas a Kanamura, destaca-se a necessidade de negociar com fornecedores e credores, além de reestruturar as equipes e serviços. A Justiça também determinou a proibição de contrair empréstimos bancários, refletindo a situação crítica da instituição, que possui um passivo de R$ 261,7 milhões e uma taxa de juros de 1,85% ao mês.

As discussões sobre a renovação do contrato com o Município de Campo Grande também estão em pauta, uma vez que o contrato expirou em setembro do ano passado e atualmente passa por prorrogações.

Opinião

A situação da Santa Casa evidencia a necessidade urgente de uma gestão transparente e eficaz para garantir a continuidade dos serviços de saúde em Campo Grande.