Futebol

Premier League e LaLiga exigem reforma na governança da Fifa após demissão

Premier League e LaLiga exigem reforma na governança da Fifa após demissão

Quatro grandes ligas europeias, Premier League, Bundesliga, LaLiga e Serie A, uniram forças para solicitar uma reforma na governança da Fifa. O comunicado conjunto destaca a necessidade de maior participação dos diferentes setores do futebol nas decisões da entidade e limites mais claros para o poder de sua presidência.

Esse movimento surge em meio a uma série de contestações às propostas do presidente Gianni Infantino, principalmente em relação ao projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a entrada de investidores privados nas operações comerciais da Fifa. O projeto foi abandonado após pressão de federações e confederações, levando a um aumento da pressão sobre a gestão de Infantino.

O comunicado enfatiza que o futuro da Fifa é crucial para todos os que se preocupam com o futebol, afirmando que “nosso esporte não pode crescer em todo o mundo se suas bases forem enfraquecidas”. As críticas não se limitam a Infantino, mas se concentram na concentração de poderes na presidência da Fifa, que, segundo as ligas, acumula funções regulatórias, comerciais e políticas sem mecanismos de controle adequados.

Críticas ao Calendário Internacional de Jogos

Outro ponto de conflito levantado é o Calendário Internacional de Jogos. As ligas questionam a ampliação dos períodos em que as competições nacionais precisam ser interrompidas, alegando que as decisões são tomadas sem a participação efetiva das partes afetadas. O comunicado também observa que apenas cerca de 1% dos jogadores profissionais disputa a Copa do Mundo e menciona uma denúncia que será apresentada à Comissão Europeia em outubro de 2024 sobre a condução do calendário.

Como resposta às suas preocupações, as ligas defendem a criação de um órgão permanente que reúna federações, ligas, clubes e jogadores para garantir uma participação efetiva nas decisões da Fifa. Além disso, solicitam avaliações independentes para projetos de grande impacto e uma separação mais clara entre as funções regulatórias e comerciais da entidade.

Reação de Gianni Infantino

Em uma carta enviada às associações-membro, Gianni Infantino reconheceu que a proposta da FFE gerou preocupações, pois foi divulgada antes de passar por todas as instâncias necessárias. Ele afirmou que o projeto foi retirado e não seguirá adiante, mas defendeu a busca por formas de ampliar os recursos da Fifa para investimentos no desenvolvimento do futebol.

Infantino também propôs uma avaliação externa e independente do atual modelo de governança para grandes projetos estratégicos e deseja abrir uma consulta com confederações e federações para discutir mudanças na tomada de decisões da entidade. Ele ressaltou que eventuais alterações nos estatutos devem ser submetidas às 211 federações-membro para aprovação.

Vale lembrar que a Fifa demitiu Kevin Lamour em 17 de agosto, o que aumentou ainda mais as críticas à gestão atual.

Opinião

As demandas das ligas europeias refletem uma necessidade urgente de mudança na governança da Fifa, destacando a importância da transparência e da participação de todas as partes interessadas nas decisões que afetam o futuro do futebol mundial.