Após 11 dias de greve, os funcionários da Caixa Econômica Federal se reúnem nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, para decidir se aceitam a proposta de acordo coletivo apresentada pelo banco e retomam suas atividades ou se continuarão paralisados. As assembleias virtuais, que ocorrerão entre 11h e 18h, contarão com a participação de bancários de todo o país.
O principal impasse que mantém a greve é o modelo de custeio do Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários, aposentados e dependentes. Historicamente, a divisão das despesas assistenciais sempre foi de 70% para a Caixa e 30% para os empregados. No entanto, em 2017, um teto de 6,5% da folha de pagamento foi estabelecido, limitando a participação do banco.
Propostas em debate
A primeira proposta apresentada pela direção da Caixa no dia 2 de setembro previa a manutenção desse teto de 6,5% em 2026, com a possibilidade de elevação para 8% a partir de 2027. Essa proposta foi rejeitada, com uma rejeição de 90% nas assembleias de 3 e 4 de setembro.
No dia 10 de setembro, com a greve já em andamento, uma nova proposta foi feita, aumentando o limite de participação para 8% imediatamente, mas também foi rejeitada, com 68% de votos contra.
A mais recente proposta, apresentada na madrugada do dia 17 de setembro, eleva o teto de custeio para 9% e elimina a cobrança diferenciada por idade, mantendo o pacto intergeracional com uma contribuição de 3,7% tanto para titulares ativos quanto para aposentados e pensionistas. Além disso, não haverá reajuste das mensalidades em 2026.
Impactos financeiros
O Saúde Caixa enfrentou um déficit operacional de R$ 627,8 milhões em 2025, com despesas totalizando R$ 4,39 bilhões. A pressão sobre o plano aumentou devido ao crescimento das despesas assistenciais, que subiram mais de 22% em relação ao ano anterior.
As entidades que representam os empregados argumentam que aumentar a contribuição dos trabalhadores não resolve o problema estrutural do Saúde Caixa e que a Caixa deveria retomar o modelo de financiamento anterior, sem um teto de participação.
Opinião
A decisão de hoje é crucial para os funcionários da Caixa e pode definir o futuro do Saúde Caixa, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre a sustentabilidade financeira do plano e a proteção dos direitos dos trabalhadores.





