Santa Catarina

MPMS investiga contratos fraudulentos na Santa Casa e prende seis pessoas

MPMS investiga contratos fraudulentos na Santa Casa e prende seis pessoas

A investigação que culminou na Operação Antidotum resultou na prisão de seis pessoas ligadas à cúpula da Santa Casa de Campo Grande. Deflagrada em 11 de setembro de 2023, a operação revela indícios de uma estrutura fraudulenta instalada na instituição e sua operadora de planos de saúde.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta que a investigação se originou após uma denúncia recebida pela 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que resultou na abertura de um Procedimento de Investigação Criminal. No centro da apuração está a gestão de Alir Terra Lima, que assumiu a presidência da Associação Beneficente Santa Casa em fevereiro de 2023.

Dificuldades para pacientes e desvios milionários

Enquanto o MPMS investiga contratos milionários e suspeitas de desvios, pacientes enfrentam dificuldades para realizar procedimentos na Santa Casa. Um caso emblemático é o de Neusa Epifânia de Castro de Almeida, que aguardou mais de uma semana por uma cirurgia. O atraso gerou questionamentos sobre a relação entre as dificuldades administrativas e a investigação em curso.

Contratação da Redvalue e irregularidades identificadas

A investigação se concentra em dois pontos principais. O primeiro envolve a contratação da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., formalizada em outubro de 2024, que deveria cuidar da digitalização de documentos da Santa Casa. O Conselho Fiscal identificou uma discrepância de R$ 511,3 mil entre o valor pago e o serviço efetivamente prestado, recomendando a suspensão do contrato, que permaneceu ativo sob a gestão de Alir.

O MPMS também destaca que não foram encontrados documentos que comprovassem a qualificação técnica da Redvalue, levantando suspeitas sobre a escolha da empresa e a concorrência que parecia simulada.

Contratos da Operadora Santa Casa Saúde sob investigação

A segunda frente da investigação abrange contratos da Operadora Santa Casa Saúde, onde empresas ligadas a Paulo da Cruz Duarte, sócio de Alir, prestaram serviços que movimentaram cerca de R$ 9,6 milhões em 2025, apesar de a operadora ter registrado um prejuízo de aproximadamente R$ 3,6 milhões no mesmo ano.

Opinião

A situação da Santa Casa de Campo Grande é alarmante, evidenciando a necessidade de uma fiscalização rigorosa e transparência nas contratações para garantir a qualidade dos serviços prestados à população.